05/07/2008

Encontro com Gaiman e Price


Estou a caminho de moderar o encontro entre os autores Neil Gaiman e Richard Price. Atenção ao relógio: começa as 11h45 e dura uma hora e quinze minutos aproximadamente. Trata-se de uma das mesas mais esperadas da Flip. Que os deuses da comunicação façam de mim uma plug de conexão dessas nobres e admiradas almas com o público.

O encontro vai ser transmitido ao vivo pela web. É só clicar aqui. Comentários, perguntas e críticas são muito bem-vindas.


Escrito por Marcelo Tas às 10h32

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04/07/2008

Jubileu: o "link perdido" de Paraty com a Flip




Na geografia, Paraty fica entre Rio e São Paulo. Na prática, é muito longe de tudo. Inclusive dos dois centros urbanos mais importantes do Brasil. Não existe aeroporto e, quanto mais você se aproxima da cidade, a estrada vai ficando pior e desconfortável.

O sotaque daqui não é carioca nem paulista. E o jeitão das pessoas tem mais a ver com os habitantes das Minas Gerias: discretos, observadores e cheios de segredos, assim os paratienses são. Não é a toa que a Flip, que pretendia uma proximidade com a comunidade local desde a primeira edição em 2003, levou pelo menos dois anos para ser adotada pelos locais.

Segundo Belita Costa, uma das fundadoras do evento, a peça estratégica da conexão da Flip com Paraty atende pelo nome de João José da Silva Jr., professor de Matemática do colégio municipal e técnico jurídico no Fórum. Mas na cidade, todos o conhecem por outra identidade e profissão: Jubileu, o artesão responsável pelos bonecos do "Assombrosos do Morro", tradição do Carnaval de Paraty.

Na segunda edição da Flip, Jubileu foi convidado para dar uma oficina de bonecos. Havia 20 vagas. Apareceram mais de duas centenas de interessados, a maioria da própria cidade. Daí veio o clique: Jubileu virou o link da festa literária com a cidade.

Este ano, Jubileu é o responsável não só pela já tradicional instalação de personagens da literatura na praça principal, como também são dele os bonecos que decoram a Flip 2008.

O ateliê do artista se confunde com sua casa. E vice-versa. Jubileu e a mulher Nice, também professora e bonequeira, moram no Morro do Pontal, num clima de sítio do interior, em meio a galinhas e jabuticabeiras, de onde se avista a cidade. Justamente o tal morro de onde descem os "Assombrosos" para o carnaval e agora para a Flip.



A técnica para a confecção dos bonecos é simples como suas feições: arame, jornal velho e água com maizena. "E o erro as vezes é o mais bonito", explica Jubileu. Ao contrário dos bonecos de Olinda, os bonecos paratienses mexem os braços, a cintura, são vestíveis. No carnaval, é natural, um braço ou uma barriga sempre sai do lugar. Criando o tal "erro" apontado por Jubileu que deixa os bonecos ainda mais assombrosos.

Mas como vocês conseguem produzir tanto boneco sem recursos ou grandes equipes? Conversa vai conversa vem, ele entrega: o vistoso leão do Mágico de Oz, que ocupa a praça central este ano, é uma remasterização do coelho de Alice no País das Maravilhas, usado no ano anterior. Outro segredo de Paraty, que só sai depois de muita conversa e cafezinho coado.


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Escrito por Marcelo Tas às 18h22

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Meu encontro com uma revoada de Capitus




Em Paraty, uma sexta-feira de ruas inundadas por gente de fora e também "de dentro". Tive o privilégio de ser "sequestrado" por uma autêntica esquadrilha de Capitus. Eram garotas de um colégio público paratiense que se apresentavam na Flipinha. Sabiam tudo da mais famosa personagem de Machado de Assis.

Diante do meu espanto, rebateram: mas você não sabe que Machado produziu seu primeiro poema aos 16 anos?!

Não, não sabia. Aí está ele: "Ela", de 12 de janeiro de 1855.



"ELA"
Machado de Assis

Seus olhos que brilham tanto,
Que prendem tão doce encanto,
Que prendem um casto amor
Onde com rara beleza,
Se esmerou a natureza
Com meiguice e com primor

Suas faces purpurinas
De rubras cores divinas
De mago brilho e condão;
Meigas faces que harmonia
Inspira em doce poesia
Ao meu terno coração!

Sua boca meiga e breve,
Onde um sorriso de leve
Com doçura se desliza,
Ornando purpúrea cor,
Celestes lábios de amor
Que com neve se harmoniza.

Com sua boca mimosa
Solta voz harmoniosa
Que inspira ardente paixão,
Dos lábios de Querubim
Eu quisera ouvir um -sim-
P’ra alívio do coração!
Vem, ó anjo de candura,
Fazer a dita, a ventura
De minh’alma, sem vigor;
Donzela, vem dar-lhe alento,
“Dá-lhe um suspiro de amor!”


ASSIS, Machado de, 1839 – 1908
O Almada & outros poemas / Machado de Assis – São Paulo
Globo 1997 – (Obras completas de Machado de Assis)


Foto: Julius Wiedemann

Escrito por Marcelo Tas às 17h45

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03/07/2008

O assédio imperial no almoço do Príncipe




Este blog participou na tarde de hoje de uma tradições da Flip: o almoço anual "oferecido" pelo príncipe d. João Henrique de Orleans e Bragança, o popular Dom Joãozinho, 54 anos. Havia um suspense insuportável se ia ou não acontecer o regabofe. Simplesmente porque não havia confirmação do patrocinador. Sim, o príncipe entra com a casa e a simpatia. Ambas impecáveis, aliás. Mas a comida e bebida são sempre por conta de empresas.

Duas dificuldades se colocaram no caminho do festim. O patrocinador interessado- Imprensa Oficial do Estado de São Paulo- atrasava o sinal verde por não entender o por quê da impossibilidade de se limitar o número de convidados. O príncipe é reconhecidamente generoso em acolher convidados de última hora que simplesmente brotam diante da porta do casarão branco com janelas e portas verdes de onde se avista a Baía de Paraty.

O segundo motivo da dúvida, bem mais nobre. É que o Príncipe só chegou na manhã de hoje à cidade. Sua alteza é tricolor doente e foi uma das testemunhas oculares da derrota do Fluminense para a LDU, do Equador, por pênaltis, na final da Copa Libertadores, ontem no Maracanã.

A derrota do Flu, aliás, foi o assunto para quebrar o gelo na chegada, inclusive com esse repórter, logo depois do cumprimento de mão do Príncipe, na porta do casarão. Como manda a tradição.

Ao contrário do almoço oficial de abertura da Flip, o acesso a fotógrafos é permitido e o ambiente é descontraído, apesar dos lugares marcados nas mesas redondas sob árvores seculares.

A casa é supreendentemente simples, elegante e arejada. O muro é discreto e baixo para os padrões das caixas fortes dos grandes centros urbanos. Rapidamente, a formalidade dá lugar à descontração. As portas dos cômodos, o que inclui a cozinha e varandas internas, ficam todas abertas para que os convivas circulem à vontade por esse pequeno reduto da história do Império do Brasil.

Os mais assediados, sem precisar dos serviços de medição do DataFolha, foram de longe os dois barbudinhos e cabeludos do pedaço: o escritor Neil Gaiman, que atendia a todos com simpatia. O que incluia filhos adolescentes de convidados, nerds das letras, que conhecem tudo sobre Sandman, a série de livros de quadrinhos criadas por Gaiman em parceria com ilustradores diversos. Parece que está pintando a mesa mais disputada da Flip 2008. Ai, ai, ai... vou ter que pedir "ajuda aos universitários". Serei o moderador do encontro entre Gaiman e Richard Price, no próximo sábado, 11h45.

O segundo homem mais assediado do almoço era ele: Dom Joãozinho. Terminou a sobremesa rodeado por meia dúzia de mulheres, todas entre 40 e 50, poderosas e atraentes, diga-se.

O príncipe não esconde de ninguém seus pendores de conquistador, como o trisavô Dom Pedro I. Porém ao contrário daquele, D. Joãzinho é moderado e discreto. Revela para delírio da rodinha que ficou um ano sem namorar após a separação de seu primeiro e único casamento até então, de 24 anos. O motivo: "esperei ela encontrar um novo amor primeiro". A mulherada suspira e uma delas solta a frase inevitável: "mas é um príncipe". Outro motivo estratégico do assédio diz respeito a um misterioso amigo do Príncipe, recém-separado, homem do mundo financeiro, que aterrissa amanhã na cidade como hóspede do casarão imperial. Mesmo sem saber, já virou o novo solteiro mais cobiçado da Flip 2008.

Foto: Marcelo Tas

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Escrito por Marcelo Tas às 19h02

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Encontro de blogs na Flip




A foto tá tremida e fora de foco, mas vale o registro. Pelas ruas pedregosas e cada vez mais cheias de Paraty, recebo um abraço afetuoso de um dos meus ídolos no jornalismo: Ancelmo Gois, coleguinha de O Globo, um dos caras mais bem informados sobre os labirintos do poder na república de Luis Ignácio. Ele é fã do CQC. Viva!

Escrito por Marcelo Tas às 18h51

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