29/11/2004

O CORINGÃO E OUTRAS BOLADAS

Meninada,

Sei que a maioria aprova, mas não vejo a menor graça neste sistema de ponto corridos do Brasileirão. E olha que estou falando daqui de cima da carne seca. Sou santista!

;-)

Ao invés de uma batalha sangrenta entre dois ou quatro times, como nos esportes de verdade- basquete da NBA ou no Master Series do tênis- fica um monte de gente medrosa contando pontos. Comemora-se quem deixou de ser rebaixado, quem ganha prêmio de consolação de ir para a Libertadores, quem ficou no bolo intermediário. Todo mundo com a tabela na mão. Me lembra aquela coisa antiga de fiscal do Sarney. Uma coisa muito brocha!

Entrei no assunto futebol, porque além do meu time novamente ter chances signicativas de ser campeão, pois já tem o futebol mais divertido do Brasil (o que para mim já bastava), esta semana fui convocado para o próximo Rock Gol, da MTV, a mesa redonda mais divertida e informativa do Brasil. Estarei lá no próximo domingo, dia 5. E você desde já fica convidado a ir comigo, deixando aqui seus comentários que encaminharei para os meus queridos amigos Bianchi e Bonfá, no calor da bola na fogueira.

Para arrematar a partida, tô louco para falar do Coringão, time rival, pelo qual guardo respeito e carinho pela paixão e raça da sua torcida. Agora, essa onda de privatização, que vai e volta, aquela picaretagem habitual da cartolagem como em todo futebol brasileiro... é um angu de caroço difícil de meter a colher. Portanto abro o blog para o comentário do meu truta, atuante frequentador dessas páginas, o mano Vandirson, corintiano sangue bom, que como sempre mandou bem.

Fala aí gavião Vandirson:

Prezado Tas,

Sinceramente não queria falar sobre esse assunto de
parceria, até agora fiquei na minha, “ não sou a
favor, nem contra, muito pelo contrario”, como diria
os pilatos alvi-negros. Mas quando vejo no
arqui-inimigo Palmeiras, as atitudes do Mustafá, no
Vasco nem precisa falar, esse dirigentes que se
perpetuam nos cargos, falar o que do 171 iraniano.

Se o Banco Central aprovar a parceria, eu tenho subsidio
técnico pra falar ao contrário. Patético é ver qual
gente tem o poder das massas do futebol. Os Gaviões
pra mim perderam uma grande oportunidade de mostrar
dicernimento e não participar dessa palhaçada dos
cartolas. Pra mim tem muita gente querendo tirar uma
casquinha. Eles que são sócios que se entendam. Do
torcerdor da arquibancada ao torcedor de radinho, fica
só a piedade. Mas respeito e profissionalismo esse
povo não tem. Quem sabe depois da tempestade virá a bonança.
Do fim, o recomeço.

Mas sinceramente se é pra ficar na mão de
gente inescrupulosa como Dualib, Mustafa, Eurico,
prefiro o Kia pelo menos ele é um Scrot internacional
e profissional.

Vandirson da Fonseca Costa
Guarulhos- SP

Escrito por Marcelo Tas às 10h01

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24/11/2004

LULA NO BBB


Estréia nos cinemas "Entreatos", de João Moreira Salles.


Já saiu matéria em todo lugar, mas tenho certeza é que no encontro com o público é que o bicho vai pegar. Como aconteceu antes com Cidade de Deus, quando críticos ficam discutindo bobaginhas e perderam o grande lance. O público é que soube ver o filme na sua totalidade que é a expressão do Brasil na tela, coisa rara de se ver num filme brasileiro, paradoxalmente.


Desta vez, com Entreatos, a imprensa ficou mais atenta à cachaça do Lula, do que ao que realmente importa no filme. Há muitos méritos em Entreatos. O maior deles, o fato de Lula ter autorizado a sua realização. É o mais importante documentário já realizado sobre um presidente brasileiro. Eu, que tenho os meus senôes com o PT e o atual governo, passei a admirar muito, mas muito mais mesmo, o nosso atual presidente. 


João mergulha dentro da bolha onde Lula começou a viver desde a campanha- jatinhos, hotéis 5 estrelas e reuniões com Duda Mendonça. As escapadas para contatos com humanos "normais" se restringe a esta cena aí acima, uma das minhas preferidas. Lula faz a barba no salão do bairro em São Bernardo do Campo. Só ele e o motorista e o barbeiro. Não fala uma palavra com ninguém. Enquanto a tesoura apara os pelos, o futuro presidente dá uma entrevista ao vivo para a rádio Guaíba de Porto Alegre. E, incrível, antecipa toda a política econômica do Palocci.


 Eu não quero ficar entregando cenas. Mas seu eu fosse você, ia ver logo o filme. Porque tenho certeza que o pessoal vai começar a comentar na rua.


A pequena câmera digital, o olhar de Walter Carvalho, o excelente microfone que capta até pensamento, a sensibilidade do documentarista... tudo isso junto fez com que pela primeira vez o público possa ter acesso a tudo, ou melhor, quase tudo que rola numa campanha para presidente do Brasil. E na alma do nosso atual presidente. É o verdadeiro Big Brother Brasil!


Imperdível.

Escrito por Marcelo Tas às 08h50

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19/11/2004

O ROMBO DO EDEMAR



Crianças, será que eu virei uma velha ranzinza? Me avisem se o meu humor está demasiadamente ácido, mas...

Semana passada a VARIG numa declaração OFICIAL disse candidamente que precisa de R$ 1,6 bilhões de reais para continuar exercendo sua gloriosa tarefa de nos transportar pelos ares. O "precisa" aí significa dinheiro do BNDES. Ou seja, o meu, o seu, o nosso suado dinheirinho dos impostos.

Agora, o Banco Santos, do banqueiro multimídia Edemar Cid Ferreira, disse que precisa de R$ 700 milhões para voltar a abrir as portas e nos brindar com cheques, contas e exposições no Ibirapuera. O próprio governo e consultores independente fizeram as contas e viram que o rombo do Edemar é mais embaixo: pelo menos R$ 1 bilhão de reais.

Gente, eu também estou precisando de algum para também vos servir melhor. E nem chega a R$ 1 bilhão. Por muuuuuuuuuito menos, qualquer um de nós pode melhorar a qualidade dos serviços prestados à coletividade.

Fiquei triste pelo Edemar. Sinceramente. Fiquei tocado pela mais recente exposição bancada por ele (ou por nós?) "A Memória da Escrita", que ainda estava em cartaz no Banco Santos da Marginal Pinheiros. No dia em que saí de lá iluminado por tudo que vi, avistei do outro lado da marginal a nova casa do banqueiro. É impossível não avistá-la. É quase do tamanho do Jockey Clube, que fica ao lado. Um olho bem treinado pode até mesmo perceber o brilho do lustre de 18 metros da sala principal, feito de ouro maciço! Atenção ministério público: há provas oculares da existência de tal lustre.

Mesmo assim, repito, fico triste pelo Edemar. Fico triste pelo Brasil. As exibições que ele montou, 500 anos, China e a da Escrita são irretocáveis. São eventos necessários que ninguém antes dele se animou a fazer.

Aqui no Brasil é assim, a gente acaba se simpatizando pelos fora-da-lei. Porque os dentro-da-lei parecem não saber tocar o barco.

Cada época tem o Assis Chateubriand que merece.

PS IMPORTANTÍSSIMO: Zé Sarney, nosso velho amiguinho, mais uma vez valendo de sua imensa sorte e habilidades de surfista, retirou uma fortuna que tinha depositada no Banco Santos, exatamente UMA semana antes do escândalo. Vai ser bom de mutreta assim lá no Amapá...

Escrito por Marcelo Tas às 11h36

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18/11/2004

QUEM É O MAIS CARA DE PAU?



Um diz que não tem conta no exterior, apesar das evidências e a tonelada de documentos provando o contrário.

O outro, imortal e dono-da-verdade-de-araque no jornal e no rádio, deu um aplique nas indenizações aos perseguidos pela ditadura e recebe no conforto do lar: R$ 23.187,90 (vinte e três mil, cento e oitenta e sete reais e noventa centavos) por mês; sem contar a tungada inicial, a guiza de RETROATIVO de R$ 1.417.072,75 (um milhão, quatrocentos e dezessete mil, setenta e dois reais e setenta e cinco centavos). Tudo pago com o dinheiro que eu e você pagamos de impostos neste país injusto e miserável. Assunto comentado aqui, em Outubro.

Tudo isso sem sofrer qualquer questionamento ou ameaça, a não ser a de falta de assunto para suas colunas ocas e sem graça.

Hoje ele se superou: datilografou o artigo que vai copiado abaixo falando sobre o assunto. Sem mencionar o seu próprio caso com o trambique. Que deve estar perturbando sua culpa cristã. Mas não o suficiente para ele abrir mão da garfada no dinheiro público. Evazivo, só reclama nas entrelinhas da "porrada" de documentos que teve que juntar para ter direito a tal mamata. Que elegância!


Diga lá, quem é o mais cara de pau: Carlos Heitor Cony ou Paulo Maluf?

..::..

CARLOS HEITOR CONY

Indenizações

RIO DE JANEIRO - O deputado José Genoino declarou ter desistido da indenização que havia postulado à Comissão de Anistia. Ficou sabendo que receberia R$ 60 mil, o que é pouco para quem lutou na guerrilha do Araguaia.
E se a indenização fosse maior? Daria tudo para o Fome Zero, o Bolsa-Família? Acredito que sim. Por essas e outras, sempre admirei Zé Genoino.
A viúva de um deputado, dos melhores de nossa história parlamentar, assassinado pela repressão, declarou na mesma ocasião que aceitará a indenização financeira, não mais para ela, mas para os filhos, como "reparação moral" pelo criminoso desaparecimento de seu marido.
Tanto a declaração de Zé Genoino como a da viúva do deputado foram publicadas no "Estadão" da última terça-feira, em extensa matéria sobre o assunto. Onde também se lê que um outro postulante sofreu o diabo, sendo obrigado a apresentar um "rosário" de documentos à Comissão de Anistia: o RG, o CPF, o título de eleitor, o atestado de residência, a certidão de óbito do parente assassinado.
A reparação moral que a viúva pediu não será feita com uma comenda, um nome de rua, escola ou fundação. Ela nada postulou para si, mas para a prole, a qual deverá receber, diz ela, o equivalente a 350 salários mínimos para cada um de seus cinco filhos. Uma reparação moral superior à reparação, também moral e financeira, do Zé Genoino, que, em boa hora, ele mandou "engavetar".
Donde se conclui: quem examina os processos e estabelece o valor das indenizações não é o postulante, mas a lei que a Comissão da Anistia cumpre e o ministro da Justiça executa. E, para qualquer solicitação, seja de indenização moral ou não, seja para pedir um passaporte ou um cadastro bancário, o postulante tem de provar, inicialmente, que existe. E informar onde pode ser encontrado.
E depois juntar uma porrada de documentos, sentenças e fotos que a Comissão investigará para conceder ou negar a indenização.

(Publicado em 18 Nov 2004, Folha de S. Paulo)

Escrito por Marcelo Tas às 10h52

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