31/01/2005

RIOS, PONTES E OVERDRIVES



Você percebe o tamanho do artista quando a cidade dele se confunde com sua obra. Isso acontece com Roma & Fellini, Tom Jobim & Rio, Dorival Caymmi & Bahia, Woody Allen & Nova York... Poesia se confunde com paisagem. Quando chego em Recife, mesmo sem walkman no ouvido começo escutar lá dentro da alma Chico Science o tempo todo. É impressionante a gritante presença de Chico por aqui. Até motorista de táxi fala dele e me mostra o poste onde desgraçadamente ele se desmaterializou para outra dimensão das pontes e overdrives dessa cidade hiper musical.

O Porto Musical começou ontem com uma grande festa, é claro. E o nome dele foi citado muitas vezes. E na maior parte delas, por alemães, franceses, italianos...

Viva Chico Science, Viva o Mangue, Viva Pernambuco!

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A CIDADE

O sol nasce e ilumina as pedras evoluídas
Que cresceram com a força de pedreiros suicidas
Cavaleiros circulam vigiando as pessoas
Não importa se são ruins, nem importa se são boas

E a cidade se apresenta centro das ambições
Para mendigos ou ricos e outras armações
Coletivos, automóveis, motos e metrôs
Trabalhadores, patrões, policiais, camelôs

A cidade não pára, a cidade só cresce
O de cima sobe e o de baixo desce

A cidade se encontra prostituída
Por aqueles que a usaram em busca de saída
Ilusora de pessoas de outros lugares
A cidade e sua fama vai além dos mares

No meio da esperteza internacional
A cidade até que não está tão mal
E a situação sempre mais ou menos
Sempre uns com mais e outros com menos

A cidade não pára, a cidade só cresce
O de cima sobe e o de baixo desce

Eu vou fazer uma embolada, um samba, um maracatu
Tudo bem envenenado, bom pra mim e bom pra tu
Pra a gente sair da lama e enfrentar os urubu
Num dia de sol Recife acordou
Com a mesma fedentina do dia anterior

Escrito por Marcelo Tas às 11h28

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29/01/2005

ZIRIGUIDUM

Alo meu povão amigo do Blog do Tas,

É carnaval!

Quer dizer, é quase carnaval. Mas estou zarpando já já para Recife. Antes da folia propriamente dita, participo por três dias do Porto Musical, um encontro cheio de gente batuta da música e da tecnologia. Vai rolar naquela área antiga recuperada do antigo porto da cidade onde nasceu o Mangue Beat. Só isso já me anima muito pra pegar o avião.

Com o tempo, vou contando as novidades aqui.

Enquanto isso, você pode saber um pouco da coisa no site dos caras.

Fui!

Escrito por Marcelo Tas às 00h48

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27/01/2005

O TRUQUINHO BARATO DE FALAR MAL DO BRASIL



Neste Janeiro, assistimos mais um "furo" do The New York Times: As garotas de Ipanema estão obesas! Seria notícia não fosse outra babaquice do correspondente do jornal no Rio. Na edição de hoje, o jornal carioca O Globo desmente a matéria e publica o fato.

Na verdade, as três da foto principal da matéria eram turistas em férias na cidade maravilhosa da República Tcheca! O que prova que além de ter preconceito contra os amantes da birita, o correspondente do jornal mais influente do mundo também não entende de mulher.

Quando falou do hábito furtivo de bebericar cachaça do presidente Lula, o tal correspondente se beneficiou da reação igualmente estúpida do "acusado", que prometeu deportá-lo por sua travessura. Desta vez, o homem do Times no Rio deve se dar mal. As gordinhas tchecas prometem contra-ataque assim que retornarem a Praga através do advogado dela$.

Este fato comprova uma tendenciazinha preguiçosa não só de correpondentes internacionais mas de colunistas nacionais que na falta de assunto, puxam da internet alguma notícia torta só para falar mal de alguém, ou do Brasil. Assim, de um dia para outro, Jorge Furtado vira Amaral Neto, Dr. Dráuzio é um charlatão, a Luana tem chulé, as praias brasileiras tem águas turvas, o presidente é alcoólatra, nossas garotas de Ipanema estão gordinhas...

É um jeito fácil de matar o trabalho e chocar alguns incautos. As cartinhas de leitores reclamando ficam garantidas. E igualmente o emprego e a pose de polemista. É um truque muito barato. Mas passa batido para a maioria.

Escrito por Marcelo Tas às 09h06

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25/01/2005

MANO A & MANO B




São Paulo, do alto desse apartamento, grito:

- Obrigado e nos perdoe por tanto tiro e fumaça.


Como se diz lá na roça: não te guento, mas não te largo. Só tu para ter como MCs da sua loucura, dois bambas como Mano Bronw e Mano Adoniran.

Feliz aniversário!

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Houve uma época em que pedíamos desculpas por sermos paulistas. Achavam a gente careta, branquelo e até culpado pela chegada da chuva num final de semana na praia. Hoje, ser paulista é chique, pelo menos é o que pensam cariocas e baianos. Aos poucos, o Brasil descobre o charme e as virtudes da boa educação, do trabalho e de um paladar mais exigente para a comida, a cidadania e para as artes. Tudo isso diz respeito a você, São Paulo.

SP não é um lugar não tão óbvio e fácil de se encantar como o Rio, o Pantanal, a Amazônia ou o Nordeste. Esse Janeiro foi muito diferentão. A cidade ao invés de vazia, a cidade esteve cheia. De gente esperta daqui e de fora, que vieram saborear a abundância e generosidade desta querida, maltratada e maluca São Paulo.

Feliz 451!

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E agora, fala aí Mano A:

"O Arnesto nos convidou
Prum samba, ele mora no Brás
Nós fumo, mas num encontremo ninguém

Nós vortemo
Com uma baita duma réiva
Da otra veiz nóis num vai mais

Nóis num semo tatú!"


Falaí, Mano B, Racionais MCs:

"Você não sabe como é caminhar
com a cabeça na mira de uma HK
Metralhadora alemã ou de Israel
Estraçalha ladrão que nem papel

Na muralha em pé
Mais um cidadão José
Servindo o Estado, um PM bom
Passa fome, metido a Charles Bronson
Ele sabe o que eu desejo, sabe o que eu penso
O dia tá chuvoso, o clima tá tenso"

Escrito por Marcelo Tas às 09h39

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21/01/2005

MR. LULA E COMPANHEIRO BUSH: QUANTO VALE O SHOW?



Pense rápido e responda. O que dói mais: pensar nos brasileiros bancaram o Air Fome One (como saiu no Simão & Lilian no UOL News) do Mr. Lula ou nas empresas americanas cheias de cacau que soltaram um troquinho, o equivalente à metade do valor da aeronave polêmica, só para pagar os gorós de três dias do festão da posse do companheiro Bush?


PS: vendo a foto acima, o Bush se sentido over the dry meat (por cima da carne seca), pensei no seguinte ataque terrorista. Vamos enviar os nossos dois homens bomba: Frota e Sérgio Mallandro, que estão desempregados no momento, para um ataque surpresa sobre as filhas do Mr. President. Garanto que os sistemas de defesa norte-americanos não estão preparados para receber esse golpe.

Escrito por Marcelo Tas às 04h55

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19/01/2005

O BIG BROTHER E OS ANEIS DE SATURNO



Meninada,

Neste instante solene câmeras transmitem ao vivo imagens inéditas ao vivo, direto de Titã, a maior lua de Saturno. A nave Huygens aterrizou (ou titanizou?) por lá neste Janeiro de 2005, depois de viajar mais de 7 anos. Além de várias novidades para a ciência, tem pintado cada pôr do sol alaranjado que só vendo. Ou seria pôr-de-saturno? Não tenho certeza.

Também não sei como diante dessa imensidão de novidade nós preferimos ficar de olho em câmeras transmitindo ao vivo o diálogo banguela de meia dúzia de Zés Manés (desculpem aí, brothers) dentro de um estúdio de TV?

Alguém tem a resposta?

Escrito por Marcelo Tas às 13h13

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18/01/2005

TRES PONTINHOS E O CRACHÁ

Terminei de ler "Roberto Marinho".

Confirmo minha impressão inicial: é uma grande história que todos devem conhecer.

Só deixo registradas duas coisas me incomodaram, e muito, conforme a leitura avançou. A mania do autor empestear o texto, salpicando três pontinhos para todo lado. Isso mesmo, tipo isso... Patati patatá... Esse negócio de três pontinhos gera uma tremenda insegurança e imprecisão no texto. Eu sinto assim... E você?

Outra coisa a se lamentar no trabalho esforçado do Pedro, é a tentativa insistente e infrutífera dele justificar alguns atos do Doutor Roberto. Especialmente da ditadura militar em diante. O autor delira a ponto de cometer uma frase do tipo:

"Cada vez que o Jornal Nacional noticia um novo passo no caminho da redemocratização, torna mais difícil a possibilidade de retrocesso... Portanto, é natural que na hora de escolher os seus ministros o presidente eleito Tancredo Neves submeta os seus nomes, um a um, ao dono da Rede Globo." (pag. 314)

Natural? Como assim? Fala sério, Bial!

Se em alguns trechos o autor nos surpreende mostrando que Doutor Roberto criou o império sem abrir mão de sexo, drogas e do roquenrou da época, em outras passagem Pedro veste o crachá da empresa e perde o pé da narrativa (aliás, na orelha do livro somos informados que nem bem terminou a faculdade Bial já era estagiário da Globo, de onde nunca saiu, talvez essa imersão o tenha prejudicado).

É uma pena. Roberto Marinho não precisa de ninguém para defendê-lo ou justificá-lo. A incrível história do empresário e jornalista fala por si. E como. 

Fica aqui esse PS. Apesar desses dois senões, recomento a leitura do livro. É um auxílio à compreensão da importância da mídia, do personagem focalizado e da recente e trepidante História do Brasil. 

Escrito por Marcelo Tas às 16h51

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