29/03/2005

VAMOS EQUACIONAR O PROBLEMA?

Em 2004, o governo Lula gastou a bagatela de R$ 1 bilhão só com viagens (ok, companheiro, desculpe, foram apenas R$ 996 milhões). Ninguém chiou muito. Mas basta o Severino admitir candidamente que emprega com mucho gosto seus parentes, que mal chegam a uma dúzia, pra todo mundo cair de pau. Convocar uma terça-negra, com todos de preto na rua...

É uma injustiça social muito grande.

Um amigo publicitário equacionou o mistério: Severino é o Lula sem o Duda Mendonça. Ou seja:

Severino = Lula - Duda

Aí, eu com minha cabeça de engenheiro raciocinei: então o que é o Duda Mendonça?

Duda = Lula - Severino

Ou seja, quase nada, algo próximo de zero... Faz sentido? Aliás, cadê o Duda? A questão galinácea ficou resolvida? O boxe entre penosos continua valendo na Barra da Tijuca? Oh Deus, a gente tem que tomar conta de tanta coisa nesse país que mal consegue tomar conta da gente mesmo.

 

Escrito por Marcelo Tas às 09h29

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27/03/2005

ASSINO EMBAIXO



MOLECADA ATENTA:


Oi, Marcelo Tas:
 
Meu nome é Geanine, tenho 23 anos, moro no interior de São Paulo, São Roque e gostaria de fazer um protesto.

No dia 27 de Março de 1960, nasce um dos maiores poetas do Rock brasileiro:  RENATO RUSSO.

E não vi em nenhum canal de televisão qualquer tipo de homenagem a ele.

Todos os meses em que se comemora nascimento e morte de Airton Senna, Mamonas Assassina e etc, é aquela overdose em todos os canais de televisão. É merecido, confesso!!! Eles foram muito importantes na história do Brasil, cada um em sua área.

Mas por que esse preconceito com o Renato? Ele foi um poeta, uma artista maravilhoso e não me conformo!!!

Bom, gostaria que você pelo menos lesse meu e-mail. Esse protesto que faço. E me corrija se eu estiver errada e se você viu em algum canal aberto alguma homenagem a ele, por favor me diga.

Obrigada pela atenção.

Até mais.

Beijos.

Geanine.

PS: Prezada, e tem mais, Renato continua sendo um dos maiores vendedores de disco do Brasil. Se há três capas simultâneas pro Paulo Coelho, só porque ele vende livro... Como fica o Renato?

Escrito por Marcelo Tas às 23h40

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24/03/2005

MJ NA PEGADINHA DOS MALANDROS



Michael Jackson, o maior artista pop de todos os tempos, não merece ser apedrejado pela mídia americana dessa maneira baixa. Como se fosse um palhaço de pijamas a caminho da corte marcial.

Ingênuo com Pelé, depois de anos calado, foi dar entrevista para o cara errrado na hora errada.

É uma pena. Um grande artista, com uma carreira inigualável, até hoje Thiller é o CD mais vendido do planeta, destruído em semanas por uns patetas da mídia. Me recuso a aceitar seu fim.

Escrito por Marcelo Tas às 20h10

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23/03/2005

O QUE É FISIOLOGISMO?

Fisiologismo é...

... quando junta a fome com a vontade de comer,

com a vontade de ir ao banheiro.

 

Na recente reforma do Lula, houve o parto de apenas dois trocinhos. Similares às abas do bigode de um conhecido senador que está sempre por perto quando surgem vagas no topo. Só que ao contrário do Severino, ele não fala em público, não dá entrevista; pede baixinho entre quatro paredes. Entre uma garfada e outra, pratica fisiologismo desde criancinha. Já fez e ainda pode fazer muita caquinha em território brasileiro, especialmente sobre nossas cabeças. Tudo em nome da dé-mocracia e da governabilidade.

Escrito por Marcelo Tas às 08h38

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AVISO AOS NAVEGANTES: CHEGAMOS A 13 MIL!

Meninada,

Agradeço as mensagens postadas abaixo, na minha despedida do Vitrine. E me desculpo com muitos que tentaram postar aqui nas primeiras horas da segunda feira e não conseguiram. O contador ficou travado.

Foi um acontecimento inédito aqui no UOL. Este blog atingiu o limite máximo: 13 mil comentários!

Como é o primeiro blog que atinge essa marca, pelo menos aqui no UOL, os técnicos foram surpreendidos. E estão estudando uma forma de vocês continuarem participando sem haver novas interrupções. O que deve ser sanado em breve, pois o pessoal aqui é craque.

De qualquer forma, agradeço por tão intensa participação, em quantiedade e especialmente em qualidade.

Obrigado!

Escrito por Marcelo Tas às 08h24

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21/03/2005

DESPEDIDA DO VITRINE

Meninada,

Esta é uma semana especial para mim. Pela primeira vez em muitos anos, não tenho gravações do Vitrine na TV Cultura. Desde Dezembro, amadureci e tomei a decisão de não continuar no programa. Foram 6 anos intensos e divertidos, mas vi que estava na hora de fazer novas coisas e dar um descanso para os telespectadores. Abrir lugar para outros talentos naquele programa que aprendi a gostar tanto.

Foi uma despedida dolorosa, mas também tranquila e amorosa. Tenho grande carinho pela emissora e empatia com a nova direção. Em breve devemos nos ver por lá novamente.

Na sexta-feira, enviei um e-mail coletivo para todos os funcionários da emissora. Mas muita gente ficou de fora. Foram inúmeros colaboradores nesses anos em que estive lá. Inclusive e especialmente, muitos de vocês que participaram via internet. Por isso publico abaixo esse e-mail de despedidas. Onde alguns de vocês certamente estão incluídos.

Muito obrigado!

Tas

..::..

Queridos e queridas colegas da TV Cultura,

Depois de 6 anos, estou me despedindo do Vitrine.

Foi uma decisão dolorida mas inevitável. Durante esse tempo tive a oportunidade rara de compartilhar o talento e garra de várias equipes e profissionais que passaram pelo programa. Sou imensamente grato à todos pela parceria e confiança.

Mas chegou a hora de passar o bastão. De deixar que outros tenham a mesma sorte de viver experiência tão rica e desafiadora.

Nos últimos 15 anos, a TV Cultura se tornou parte fundamental e indissociável da minha vida profissional na TV: Rá-Tim-Bum, Castelo Rá-Tim-Bum, Minuto Científico, Vitrine, Blog do Tas- Jornal da Cultura, Orquestra no Sesc Belemzinho, Departamento de Chamadas, Departamento de Internet, Rádio Cultura, Prêmio Sérgio Motta, Dia Internacional da Criança…

Aceite minha gratidão, cada um com quem aprendi a fazer uma TV ousada, inteligente e criativa. Espero ainda colaborar com outros importantes e divertidos projetos por aí.

Longa vida, entusiasmo e inspiração à TV Cultura.

Contem sempre comigo e até breve.


Marcelo Tas
15/03/2005

Escrito por Marcelo Tas às 08h09

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16/03/2005

NADA A COMEMORAR


A molecada me provoca a postar sobre o "Aniversário da Democracia Brasileira", que estaria comemorando 20 anos esta semana.


Sinto muito decepcioná-los, mas a data de ontem não merece comemoração. Não é marco de democracia alguma. Muito pelo contrário. Há 20 anos, dois senhores chegaram ao poder sem eleição direta. Às custas de barganhas políticas e acordos "de lideranças", o que no Brasil é sinônimo de troca de favores. Não reconheco valor algum em insetos da estirpe de José Sarney que em vários canais de TV no dia de ontem se auto proclamou o cara que "abriu os poços artesianos" da democracia, no seu estilo poético sempre farto em mau gosto.


Crianças, vamos comemorar o quê? Sarney vinha do PDS, o partido que apoiava a Ditadura. Ele, o sempre presente surfista do poder, mais uma vez farejava a próxima onda e pegava carona no movimento das diretas, que ele não participou absolutamente, e dropava com precisão uma vaguinha de vice na chapa de Tancredo. Esse por sua vez, apesar de ter participado, moderadamente, do movimento pelas diretas, estava longe de ser um político ligado aos anseios do Brasil. Na época, eu estava lá ao vivo, todo mundo tinha ganas de mudança. O desejo popular era escalar um centroavante que puxasse o país para frente. Mas Ulisses estava já velho, FHC novo, Lula excessivamente chucro, Covas ainda limitado a SP, era prefeito da cidade, sobrou o mineirinho que jogava na retranca. Ou no máximo um meio campo recuado.


Apesar de homem digno, Tancredo nunca foi um político carismático, coisa que só a morte lenta na TV ao vivo, fez acontecer de forma artificial. Até hoje sou questionado por amigos quando digo isso. Mas na época fui uma testemunha ocular da hipnose que a TV exerceu sobre as mentes nacionais. Estava viajando por Cuba, Europa e Estados Unidos, gravando documentários na pele do Varela. Quando deixei o Brasil, ninguém ligava muito para Tancredo. Era apenas mais um no jogo pesado do xadrês político da época.


Voltei ao Brasil no dia 23 de Abril, horas depois da morte do presidente que nunca tomou posse. Diante da choradeira, do transe nacional, perguntei inocentemente: mas o que aconteceu de tão especial? Quase fui apedrejado. Tancredo tinha virado santo. E eu um pecador que invocava seu nome em vão. A coisa foi tão hipnótica que basta dizer que o porta-voz dele, o cara que ficava lendo boletins médicos no Incor, um ex-jornalista da TV Globo que não me recordo agora o nome, virou governador do Rio Grande do Sul, depois desse show de cobertura macabro.


Sarney, como sabemos, virou presidente. Com sua cara de sonrisal e pretenso homem de bem, se tornou o maior outorgador de concessões de TV e rádio da História do Brasil. Foram mais de mil no seu mandato extendido a fórceps para cinco anos. Mais do que todas as concessões de rádio e TV já outorgadas desde que começamos a usar o rádio e da TV em território brasileiro! Este ato de Sarney, o loteamento de concessões públicas, na minha modesta opinião, foi o maior crime já cometido contra a democracia no Brasil. TVs e rádios foram barganhadas com políticos em troca de favores. Até hoje podemos sentir o efeito da mão pesada e da ignorância desse coronéis que controlam milhões de votos em currais eleitorais, especialmente no norte e nordeste. Incluindo o Maranhão, império do surfista da onda da hora Sarney, hoje aliado pole-position, vejam vocês, do governo Lula (ja havia sido do governo FHC).


Portanto, meus queridos e queridas, comemorar democracia esta semana é de um oportunismo gritante. Vocês viram quem saiu que nem louco atrás dos microfones e holofotes: ACM, Marcos Maciel, Sarney... Pergunto: eles representam que democracia? Sarney deu a mesma entrevista na Globo, na TV Cultura e CBN. Se colocou "modestamente" como o pai da democracia moderna brasileira.

Ainda, teve a cara de pau de dizer que a inflação durante o seu mandato (mais de 80% ao mês!, a maior do universo conhecido pela NASA) atingia "níveis aceitáveis para o contexto mundial da época". Para não falar dos inacreditáveis e fracassados planos Cruzado 1 e 2, que só erodiram o salário dos trabalhadores e aprofundaram a tragédia social brasileira. O senador pelo Amapá (ué, mas ele não mora no Maranhão?) está chamando eu, você, nós todos de burros, cegos e surdos. O pior é que não houve reação alguma dos entrevistadores. Que vergonha!

Portanto, brasileiros e brasileiras, para mim esta semana deveria ser de luto. Pela falsidade das figuras que tomaram o poder e estão aí até hoje mamando na nossa recém nascida e frágil democracia. Se é para comemorar de fato, penso que devemos esperar até 2009, aí sim 20 anos depois da primeira eleição direta de 1989, ano em que elejemos, toc toc toc, elle, o playboyzinho das Alagoas.

É, crianças, construir um país não é tarefa fácil. Caminhamos muito, da ditadura para cá, sem dúvida. Mas não por vontade ou patriotismo de Sarney & Cia. Aliás, diria que apesar deles caminhamos. E por causa deles, ainda temos tanta picaretagem para expurgar. O trabalho está só no começo.

A questão que fica é: que lições tirar dessa eletrizante história que se chama História do Brasil? Estão abertos os comentários.

Escrito por Marcelo Tas às 07h33

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