
Meninada,
Andei sumido, eu sei. Mas tenho razões de sobra, os que puderem, me desculpem. O mês de Abril literalmente me abriu novíssimas visões de mundo, de vida e de trabalho. Abaixo, vai uma cópia de matéria publicada hoje na Folha de S. Paulo, sobre ZAP 2, O Resumo da Ópera, que estréia dia 23 em Manaus.
Também esta semana, inicio os trabalhos para o meu novo projeto na TV. Como alguns de vocês já viram por aí nos jornais, é um talkshow diário no Canal 21. Vai entrar junto com a nova grade do canal, prevista para o dia 25 deste mês. O projeto tem tudo a ver com essa exeperiência aqui do blog: opinião, humor, indignação... e especialmente com a forma livre, direta e interativa que conversamos aqui. Portanto, vocês- obviamente, os que quiserem- estão convidados a fazer parte do (talk) show.
O nome da empreitada é sugestivo: Saca-Rolha, com o hiper-ativo-criativo Lobão, a adorável-linda-direta Mariana Weickert e este pobre diabo que vos tecla. Eu volto pra contar mais. Enquanto isso, fiquem aqui com informações do Zap 2.
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Versão expandida de espetáculo de Marcelo Tas e Bráulio Mantovani usará animação e telões para 20 mil pessoas
Festival no Amazonas abre com ópera "high-tech"
/bigger>/bigger>/bigger>/bigger>DIEGO ASSIS
/bigger>/bigger>/fontfamily>DA REPORTAGEM LOCAL
/x-tad-bigger>Quem disse que ópera é uma coisa chata? Muita gente...
Pois foi por esse motivo que, em 1999, o Sesc Ipiranga convidou Marcelo Tas, que de ópera não entendia bulhufas, para criar o espetáculo "Zap", uma aventura didática e nada despretensiosa que tem como objetivo passar a limpo os 400 anos de história do gênero.
Com sessões esgotadas em São Paulo e uma passagem pelo Festival Amazonas de Ópera, em 2002, a montagem volta a Manaus, expandida, nos dias 23 e 24 deste mês, como atração de abertura da nona edição do evento.
No lugar da "pocket-ópera" criada em 1999 para um piano, um espaço e um elenco muito menores, "Zap 2" ganhou ares de épico. Será encenada para 20 mil pessoas, do lado de fora do teatro Amazonas, de dentro de um "televisor" de 10 m x 14 m, e transmitida simultaneamente para sete telões espalhados pelo espaço.
Uma orquestra de 40 músicos e um coral de 65 serão os responsáveis pela trilha do espetáculo. Entre os cantores propriamente ditos, que vão estufar os pulmões em mais de 40 trechos de óperas diferentes, estarão as divas brasileiras Céline Imbert, Rosana Lamosa e Marta Herr, além da norte-americana Maria Russo.
Mais que a projeção, que usará por vezes o exterior do teatro como cenário, uma parafernália "high-tech" permitirá que os cantores interajam com animações comandadas por um VJ.
"A tecnologia sempre esteve presente na ópera. Wagner era um louco por tecnologia. O teatro que ele construiu na Alemanha, em Bayreuth, é 5.1. É "home theater". Wagner é o inventor do surround, foi o primeiro a colocar a orquestra no fosso e estudou acústica para desenhar cada peça daquele teatro", afirma Tas, 45.
O compositor de "Cavalgada das Valquírias", não por acaso, é um dos destaques da nova peça. De carona na montagem integral de "O Anel dos Nibelungos", que será exibida pela primeira vez no Brasil no festival, Tas e Bráulio Mantovani, co-autor do roteiro de "Zap 2", resolveram criar a sua versão, resumida, para a ópera.
Das 16 horas do original, "O Anelzinho" conta "tudo" em 15 minutos. "Com todo o respeito, a gente está retalhando Wagner. E ele não gosta muito", brinca Tas, fazendo referência a uma cena da montagem em que uma animação mostra o compositor alemão fazendo caras e bocas.
E o nariz dos puristas como fica? "No começo teve aquele estranhamento [por parte dos cantores], mas, no terceiro ensaio, eles começaram a entender e acharam divertido", conta o maestro Marcelo de Jesus, 33, diretor musical de "Zap 2" e regente da Orquestra de Câmara do Amazonas.
"Por incrível que pareça [dirigir] o "Zap 2" é mais difícil do que uma ópera tradicional. Tem que ser fiel a cada historinha e conscientizar o cantor de que ele vai ser aquele personagem por 20 segundos ou um minuto. Isso tira o lado de diva deles, de ser essa coisa inacessível", completa Caetano Vilela, 37, co-diretor cênico do espetáculo e cujo currículo operístico traz "O Elixir do Amor", com Yacov Hillel, e "O Barbeiro de Sevilha" -que, no "Zap 2", inclui um guardador de carros que leva 15 minutos só para explicar o endereço da famosa barbearia.
Televisão
"Não é um espetáculo erudito, é um espetáculo pop", avisa Mantovani, 41, roteirista de "Cidade de Deus", indicado para o Oscar e outro que, como Tas, também não entendia muito de ópera antes de embarcar na experiência. "O roteiro tem mais a ver com os mecanismos do que com as histórias das óperas. Explicamos os tipos de vozes, os tipos de histórias, tem até um momento em que mostramos como funciona o diafragma dos cantores."
Com transmissão ao vivo pela TV Cultura local e uma possível série de TV a caminho, esta pela TV Cultura de São Paulo, o grande televisor que serve de cenário para "Zap 2" é mais que um simples detalhe. Com isso, os criadores querem provar que a ópera, com seus enredos dramáticos e cenas de amor e morte, é a televisão do passado. "A gente brinca com as manchetes dos jornais sensacionalistas. Se fossem noticiar "Carmen", de Bizet, por exemplo, seria algo assim: "Soldado corno mata amante em tourada". A tese do espetáculo é que a ópera é um espetáculo popular."
Tas completa: "A gente ouve ópera todos os dias. E isso não é uma frase de efeito. Você liga a TV, e os comerciais mostram um trecho de ópera. Todo dia, no rádio, a "Hora do Brasil" abre com o "Guarany". "Tom e Jerry" e os desenhos de Disney estão cheios de ópera. Há óperas que até os motoristas de táxi assobiam".
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Zap 2, o Resumo da Ópera
Onde:/x-tad-bigger> teatro Amazonas - largo de São Sebastião (r. Tapajós, s/nº, região central, Manaus, AM, tel. 0/xx/92/233-1768)
Quando:/x-tad-bigger> nos dias 23 e 24, às 20h
Quanto:/x-tad-bigger> entrada franca. Patrocinadores: Secretaria da Cultura do Estado do Amazonas, Bradesco e Coca-Cola/x-tad-bigger>