31/05/2005

A IGREJA VOLTA ÀS TREVAS



Tava demorando. Bento 16 começa a bater o velho bumbo enferrujado da igreja católica. É contra a inseminação assistida, é contra pesquisa com células-tronco... basicamente é contra o conhecimento humano.

Nunca é demais lembrar que esta é a própria igreja que detonou Galileu Galilei, quando o cientista provou que a Terra não era o centro do Universo. E sim girávamos em torno do Sol. Coisa que ele teve que desmentir rapidinho para não ser queimado na fogueira da Inquisição.

Surpreendentemente o super-herói brasileiro, Claudio Fonteles, procurador geral da República, respeitado por ser duro com os corruptos, apareceu ontem na TV protocolando uma ação direta de inconstitucionalidade (Adin) contra o artigo da Lei de Biossegurança que permite pesquisas com células-tronco embrionárias congeladas.

Se dizendo católico fervoroso, Fonteles garante que há vida a partir da fecundação. Por isso é contra a pesquisa, e blá-blá-blá...

Como na piada do caipira, tem gente querendo revogar a lei da gravidade.

No ano de 2005, os católicos insistem no velho e burro embate com a ciência. Inacreditável. Deve ser por isso que os evangélicos estão vindo com tudo. Agora, só falta o Garotinho virar presidente.

Escrito por Marcelo Tas às 08h18

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30/05/2005

O SU-CESSO DA PARADA!!!

Advinha quem foi o mais aplaudido da Parada Gay, de SP?

Sim, auditório, ele mesmo, o nosso intrépido Senador Eduardo Suplicy.
Apareceu com a namorada e ganhou muitas palmas, pedidos de autógrafos e
até alguns beliscões carinhosos segundo um informante infiltrado no
animadíssimo evento que invadiu a capital paulista  no domingo
ensolarado.

PS: essa estimativa da polícia militar de 1,8 milhão de pessoas parece
uma implicação com os viados. Dois dias antes, com menos gente, segundo
o Data-Tas, que mora nas redondezas, estimaram a Parada Evangélica em 2
milhões redondos. Alô bichas amigas (com todo respeito, fofas), vamos
pediu uma CPI?

Escrito por Marcelo Tas às 09h39

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28/05/2005

ALÔ SENADOR SUPLICY, EXPLICA AÍ, PLEASE.

Passei dias lendo toneladas de jornal e revista, mas não entendi. Desculpem, devo ser burro véio mesmo.

Alguém pode me explicar, bem facinho, por que o PT tenta (em vão) impedir a CPI dos Correios?

(estou falando sério, sem ironia, muito menos cinismo)

 

Se a resposta for: para evitar o desgaste político-eleitoral... bla-bla-bla... Será que a dupla de trapalhões Genoíno-Mercadante consegue imaginar estrago maior do que o que já causado?

Alô, Senador Suplicy, o senhor parece ser o único lúcido nesse baile de bêbados, explica aí. Mas explica rápido, por favor.

Escrito por Marcelo Tas às 08h37

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25/05/2005

CONTA MAIS, KOTSCHO!

Delicioso texto de Ricardo Kotscho, ex-secretário de imprensa de Lula, hoje na Folha (vai copiado abaixo).

Mas me trouxe uma dúvida: por que quando estão lá no poder, pessoas como o próprio querido colega Ricardo Kotscho, não são acometidas da lucidez e elegância demonstrada no texto? O que existe sobre o solo de Brasília que magnetiza todos que por lá se aboletam? Durante o mandato do Ricardo na assessoria de imprensa, por exemplo, o sempre falante presidente do povo não deu uma só entrevista coletiva! Dois anos de silêncio durante o período mais necessário a um presidente vindo do povão falar diretamente de verdade, sem Dudas Mendonças, com seus compatriotas!

Fica uma vontade imensa de que alguém nos explique o que acontece mesmo lá dentro das salas dos prédios do Niemeyer. Que oxigênio é esse que respiram esses políticos no cerrado que os deixa com ares e atos de canastrões de novela mexicana, um tanto Mercadantes, um tanto ACMs? Ah, isso eu queria que o Kotscho me explicasse.


..::..



ARTIGO

O vento virou e eu não percebi
RICARDO KOTSCHO
DO NOMINIMO.COM.BR

Céu azul e mar calmo, desses que chamam de almirante. Saímos cedo de Itapema para o passeio de barco até a ilha de Anhatomirim, na baía de Florianópolis, onde havia um forte que nunca foi usado e virou atração turística. Bem antes do combinado, em meio ao almoço, o velho barqueiro, que havia nos levado à ilha para passar o dia, voltou assustado e gritou: "Vamos embora que o vento virou! Tem que ser já!".
Em segundos, Mara, minha mulher, o casal de amigos Décio e Lori Moser, nossas filhas e eu pulamos no barco e partimos de volta, sem tempo nem para perguntar nada. O céu pretejou de repente, ondas enormes se formavam à nossa frente, a chuva de vento veio forte e não se enxergava nada, muito menos terra à vista. O barquinho ziguezagueava meio à deriva, subindo e descendo as ondas, o motor rateando, o filho do barqueiro ajudando a abrir caminho com o remo. O passeio virou um tormento. Só me restava rezar. Nunca passei tanto medo na minha vida.
Uma eternidade de meia hora depois, já na praia, o homem que nos salvou a vida e a dele, um pescador de barba branca que pensava saber tudo do mar, benzeu-se, beijou o filho e confessou que nem ele tinha visto coisa igual. Tomamos uma garrafa de cachaça no gargalo e, refeito do susto, comecei a pensar como o nosso destino pode mudar de uma hora para outra, dependendo da vontade do vento e de como reagimos à mudança do tempo.
Por que esse episódio me veio à lembrança enquanto tomava um café na bucólica alameda Lorena, perto de onde moro, bem longe do mar? É que li, numa pequena nota na coluna de Tereza Cruvinel, em "O Globo": "Aqui em Brasília, o tempo virou de vez: chegaram juntos o frio, a seca e o pico da febre política que acomete o governo desde fevereiro".
Nem faz tanto tempo, foi no começo de abril, neste mesmo canto do NoMínimo, escrevi um artigo com o título "Bons tempos, esses". Era sobre um jantar na casa do escritor Fernando Morais em que reencontrei velhos amigos e um baita alto astral, um pessoal de bem com a vida. Saí de lá feliz e resolvi contar uma história diferente, sei lá. Queria apenas fazer um contraponto, cair fora da mesmice da desgraceira geral, mostrar que, apesar dos juros, da corrupção e da violência, também tinha coisa boa acontecendo, mas os leitores não gostaram.
Recebi uma tonelada de críticas, algumas até grosseiras. Faz parte do ofício. Ao contrário do que acontecia nos jornais e nas revistas em que trabalhei, onde eram raras e demoravam a chegar as cartas de leitores sobre o nosso trabalho, agora na internet a reação é imediata, fulminante. Deu para sentir que o pessoal anda tão bravo com a situação que não admite alguém falar em coisa boa.
Ao bater de frente com o assustador noticiário dos últimos dias e a nota da Tereza Cruvinel, fui entender a justa revolta dos leitores comigo: o vento virou e só eu não percebi -eu e muitos amigos do governo em que trabalhei nos últimos dois anos. Trancado para escrever no apartamento, de onde só tenho saído para buscar a neta no berçário e dar algumas voltas no quarteirão, não me dei conta da radical mudança no tempo, que virou de vez o humor das pessoas. De volta à realidade, como escrevi outro dia, acabei me afastando dela, como notaram os leitores. Chove, depois de longa estiagem, os dias andam cinzentos e as noites paulistanas não convidam a sair de casa.
Procuro descobrir onde foi, em que momento a coisa virou, pois não se trata de um fato ou outro, isoladamente, mas do conjunto da obra. A inflação continua sob controle, a economia, as exportações e os juros crescendo, o desemprego diminuindo, os números não mudaram. De repente, porém, você pega os jornais e não sobra pedra sobre pedra no cenário político, pinta um clima de fim de feira moral, de desesperança, de indignação, de salve-se quem puder, tudo ao mesmo tempo. É um velho filme que não gostaria de ver mais, mas que voltou às telas da vida.
Dá para ficar assustado, como aquele dia no mar de Santa Catarina. O pior é que não há sinais de terra à vista e, em meio à tempestade, está cada um remando para um lado, querendo se salvar sozinho. Nessa hora, como diria o experiente pescador, muita calma -em vez de buscar um culpado, talvez seja melhor procurar uma saída. Afinal, estamos todos no mesmo barco.


Ando numa fase de lembranças. Outro dia, quando li sobre a ida da Ana Paula Padrão para o SBT, me recordei de um episódio acontecido durante a campanha presidencial de 2002. O candidato Lula e o então presidente nacional do PT, hoje ministro José Dirceu, foram visitar Sílvio Santos, o dono da segunda maior rede de TV do país.
Lá pelas tantas, entre uma gargalhada e outra, Sílvio começou a explicar por que o jornalismo tinha sumido da grade de programação da emissora: dificuldades para contratar um(a) âncora.
"Você não sabe, Lula, como é difícil. Gosto muito dessa Ana Paula Padrão, da Globo. Ofereci a ela R$ 150 mil por mês! Quatro vezes mais do que ela ganhava lá! Aí deram um aumentinho pra Ana Paula na Globo, e ela acabou não vindo..."
Depois de falar de outros convites feitos e não aceitos, o homem do baú revelou que chegou a pensar em importar um âncora da Argentina (isso muito antes de Tevez & Cia. no Corinthians).
"Conheci um apresentador de telejornal argentino fantástico. Um homem bonito, você precisava ver, voz forte, dicção perfeita. Mas ele não falava português..."
Era só o que faltava: um telejornal com legendas.
Três anos e muitas mudanças de vento depois, Ana Paula acabaria aceitando o convite de Sílvio Santos.

Ricardo Kotscho é jornalista e ex-secretário de Imprensa da Presidência da República

Escrito por Marcelo Tas às 08h55

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24/05/2005

O BLOG ENCONTRA SEUS POSTS NA TV



Meninada,

O Saca-Rolha, programa diário que participo com Lobão e Mariana Weickert, na Rede 21, 22h30, tem me dado a oportunidade de reencontrar com posts desse blog.

Semana passada passei a limpo minhas diferenças com o Grafite. Esta semana encontro o meu suposto namorado Gerald Thomas, rumor que surgiu aqui na blogosfera. É a materialização de muitas histórias que surgem aqui na velha e boa mídia chamada televisão. Aliás, um streaming de áudio e video muito estável, que não dá pau como no Windows.

Escrito por Marcelo Tas às 00h12

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20/05/2005

GAROTINHO, SEUS AMIGUINHOS E O SENADOR MERCADANTE


Alo garotada, você estão prestando atenção no Garotinho?

Pois ele vem aí com tudo. É o sinal mais evidente do lavagem cerebral produzida no país pelo governo Lula. Isso mesmo, desculpem os ainda iludidos com o companheiro, mas Zezé di Dirceu e seus Mercadantes passaram mais da metade do mandato petista detonando o governo anterior.

Qual o resultado desse massacre? A implosão da discussão política de qualidade. O eleitor médio (e bota médio nisso) pensa assim: PT, PSDB... é tudo igual. Igual por igual, deixa eu descambar de volta para o meu delírio evangélico tipo Garotinho ou até mesmo nazista tipo Enéas.

Não é piada não, rapaziada. Vem crescendo como nunca a turminha de reacionários de direita (Garotinho, Caiado, turma do PL, PFL) e de esquerda (Stedille e seus bonecos teleguiados de boné do MST) no país. É uma pena, mas também é um castigo para o campeonato de vaidades que se instalou entre os dois únicos partidos com alguma substância em seus quadros: PT e PSDB.

Esta semana sem querer zapeei pela TV Senado. Fiquei congelado lá. Só consegui sair depois de uma hora chocado com o que via. Estava passando uma comédia de terror. O pobrezinho do Mercadante tentando convencer seus pares a não pedir CPI para o escândalo dos Correios. Para argumentar, leu uma carta do próprio corrupto, que pedia desculpas e devolvia outras acusações! O próprio corrupto pé-de-chinelo lido e citado em plenário e ao vivo para as câmeras pelo senador por São Paulo, bigodudo e economista da USP!

ACM, com razão, riu como uma hiena, da precariedade do líder do governo. E de nós todos, que estamos caminhando para uma roubada sem volta.

Santa ingenuidade, Batman. Um cara desses ainda quer ser governador do Estado de São Paulo? Vai ser jantado antes pela Marta, de garfo e faca.

Escrito por Marcelo Tas às 01h11

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17/05/2005

AH, ESSAS MULHERES...



É muito bonitinho quando a âncora de um noticiário tão importante da TV Globo, abre mão do seu cobiçado posto alegando que estava indo dormir tarde demais, atrapalhando sua "vida pessoal". Quer dizer, sua vida conjugal.

A Ana Paula não é a primeira a fazer isso. A Lilian Witte Fibe já tinha feito o mesmo.

Nós homens não temos o mesmo culhão. Somos mesmo um bando de mulhezinha.

PS: boa sorte para ambas garotas citadas, em suas respectivas novas casas: APP, no SBT; LWF na Rede 21 (mas ela também continua aqui no UOL, é claro).

Escrito por Marcelo Tas às 01h19

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