
Não há limite para a cara-de-pau "neste país", como diria o barbudo metalúrgico.
No meio do blablablá pela presidência da Câmara, surge Michel Temmer, presidente do PMDB, para nos informar que é a favor de uma candidatura única. Segundo ele, a única forma do Congresso não "perder sua credibilidade". A candidatura única que "uniria o país" é a dele, claro.
Ora, meu caro, tire o cavalo da chuva. Vocês todos, demagogos e caras-de-pau que tripudiam com a nossa cara todos os dias, já a perderam de vista há muito tempo. E não há no horizonte o mínimo indício que a encontrarão tão cedo.
PS: para quem não leu, vai abaixo a indispensável coluna de Nelson Motta, publicada na Folha de S. Paulo na última sexta. O blog assina embaixo e aplaude Nelsinho pela precisão e estilo.
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Folha de S. Paulo
05/01/2007
NELSON MOTTA
Mosca na sopa
RIO DE JANEIRO - Os suplentes de deputado que vão ganhar R$ 85 mil para não fazer nada no verão, a não ser empregar parentes, dizem que está tudo legal. E para eles deve estar mesmo, legal à beça. Mas privilégios imorais e indecentes não se tornam mais aceitáveis ou menos odiosos só porque foram transformados em lei, pela ação dos lobbies e dos bandidos da causa própria que infestam o Congresso. Pelo contrário, fazem ainda mais covardes esses "representantes do povo" que se valem das suas próprias leis para roer o nosso dinheiro como ratos. São todos ladrões, metafóricos alguns, mas são.
Como qualquer cidadão de bem, combato essa alta ralé, mas tenho consciência de nossa impotência. De nada adianta os denunciar, desmoralizar, ridicularizar, xingar, processar, esculhambar, sacanear, ameaçar ou mesmo lhes dar bengaladas: eles limpam as cusparadas e fingem que não nos vêem, fogem de nós, mudam de assunto, mas não largam o osso.
E ainda temos de ouvir os políticos semi-honestos e "sensatos" de sempre, sempre no poder, nos advertindo de que é perigoso desmoralizar o Congresso, se é ruim com ele, pior sem ele. Como se estivéssemos condenados a ser mandados e explorados pelos nossos empregados, pelos que pagamos com nosso trabalho para que defendam nossos direitos.
Minha única esperança de vingança é que, numa praia qualquer e sem ter o que fazer, eles leiam essas palavras e, ainda que por instantes, fiquem furiosos e indignados, se sintam incomodados, ofendidos e injustiçados, que rasguem o jornal e me detestem como eu a eles. Que, num salão de beleza, com as amigas, suas mulheres e amantes leiam e chorem de raiva e, nas suas escolas, diante dos colegas, seus filhos se envergonhem de suas sem-vergonhices legais.