
Termina uma semana que nos transmite a sensação de que saídos do nada e chegamos a lugar algum.
Senão vejamos:
Operção navalha prende dezenas de graúdos pelo Brasil. Teve governador, deputado, polícia, respingando no presidente do Senado... se borrando nas calças. A semana termina com todos leves e soltos por aí. Inclusive o incrível Zuleildo, que só pelas gravações de voz exibidas no Jornal Nacional, merecia ao menos, uma mini série histórica na Globo. Por que não no lugar de Mauricio de Nassau? Zuleildo, o magnífico.
Ocupação da USP: a molecada finalmente se rebelou contra o descaso da USP. Ótimo. Mas o movimento inchou, ganhou aqueles agregados que querem "derrubar o sistema" e outros descalibrados preguiçosos. O governador cedeu. Mudou partes do texto do Decreto polêmico. Indicou que pretende apenas maior transparência e eficiência no emprego das verbas públicas, o que todos queremos, mas o movimento não aproveitou a brecha para sacramentar um avanço nas negociações. E acabou melancolicamente, trocando sopapos com policiais, igualmente mal pagos, nas ruas de São Paulo. Será que serviu para alguma coisa? Tomara que sim.
E, last but not least, o fanfarrão Chavez fecha uma TV na Venezuela por motivos políticos. Do lado dela, a TV não primava pelo equilíbrio e isenção no quesito ética. Exatamente a especialidade de Chavez, que coloca no lugar uma rede estatal que o bajula 24 horas por dia, com o dinheiro do povo. Aqui no Brasil, na tribuna do Senado, José Sarney discursa a favor da liberdade de expressão. Logo ele, que nas últimas eleições censurou blogs e processou jornalistas que o criticaram no Amapá, estado que o cara-de-pau alugou para se eleger senador, já que ele, como todos sabem, tem residência no Maranhão, onde também acumula o cargo de reizinho da mídia.
Ufa, sobrou alguma coisa? Sim, a charge do Glauco na Folha de hoje.