Enquanto se aproxima a data fatídica para a TV brasileira entrar, na marra diga-se, na era digital (o próximo 2 de Dezembro), vivemos já com uma TV plenamente digital muitas vezes sem nos dar conta: a Internet.
Faz-se muita confusão sobre TV Digital. Alguns acreditam que será uma TV interativa. Outros, apenas alta definição. Ou até mesmo um e outro; ou nem um dos dois. O fato é que a escolha brasilera, segundo os meus especialistas de confiança, acabou recaindo, para dizer o mínimo, numa mistura indigesta. Novamente, assim como fizemos com a cor, quando optamos pelo Pal-M, o sistema de TV Digital escolhido pelo governo Lula (leia-se Ministro Hélio Costa) é único no mundo: japonês-brasileiro.
Ou seja, não vamos nos beneficiar de equipamentos mais baratos. Não vamos ter compatibilidade com os sistemas mais usados nos EUA, Europa, China e mesmo Japão. Quem levou a melhor foram as emissoras já existentes, já que a escolha desfavorece mudanças nas regras do jogo já em andamento.
E, a meu ver, o pior aspecto: cada canal terá direito a quatro "novos" canais digitais. Ou seja, vamos multiplicar por quatro o já estreito mundo das famílias que detém a mídia brasileira. E suas extensões nos estados, com retransmissoras, na grande maioria das vezes, nas mãos de currais políticos retrógrados distribuídos como capitanias hereditárias pelo inesquecível inseto José Sarney, que agora tenta apagar seu passado nefasto posando de intelectual e amigo das letras.
(Que vergonha, dona Lígia Fagundes Telles, vossa elegância se prestar a ir a um lançamento de mais um livreco do Zé)
Well, isso posto, vejamos o que acontece no caos permanente da Internet. Enquanto isso... milhões de vídeos são assistidos diariamente colocando em sincronicidade conteúdo e audiência. Sim, a tal interatividade. Audiência gerando audiência.
E "antigos" veículos como revistas, jornais e mesmo televisões lançando seus novos "canais de TV" na rede. É o caso acima, da TV Slate, esta uma "revista" da Internet que agora virou TV.
E acontece também o vice-versa: "antigos" canais de TV anunciando em novos canais de internet. Experimente clicar no site da
Salon, e assista "comercial" do que vai ao ar hoje na CNN. Aliás, programinha imperdível, com a correspondente de guerra da CNN no Oriente Médio.
E quando os "antigos" veículos de comunicação brasileiros- falo de jornais, revistas e da própria TV aberta- irão colocar suas novas TVs no ar? Talvez acordem próximos do abismo financeiro. Vide o Estadão, que em plena revolução digital, lançou um campanha de TV "esperta" desdenhando sabe quem? Você, internauta.
Um golaço, só que contra!