14/10/2007

Da virtude de não temer o ridículo




Há algum tempo observo com minha lupa a escalada- em direção a que não me perguntem, por favor- do vulgo Ministro da Defesa Nelson Jobim.

É de se admirar sua conduta. Trata-se de uma Excelência destemida. Faltam homens assim no poder pátrio. Vendo o nobre causídico apalpar a goela dessa sucuri em Tabatinga, Amazonas, em pleno domingão, sol à pino, me bateu até uma nostalgia do saudoso Jânio Quadros. Homens que não possuem temor ao ridículo engrandecem a nação. E estou falando muito sério.


Foto: Antonio Cruz/ABr- Tabatinga (AM) - O ministro da Defesa, Nelson Jobim, e o governador Eduardo Braga (esq), erguem sucuri durante visita a Tabatinga. Inspeção em postos da fronteira será base de plano estratégico de defesa nacional

Escrito por Marcelo Tas às 00h40

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Nobel para Gore: e se fosse o contrário?



O Nobel da Paz foi para Al Gore, candidato a presidente perdedor na eleição norte-americana.

Agora, responda rápido: e se Al Gore tivesse sido eleito, que Nobel seria destinado a George W. Bush?

Escrito por Marcelo Tas às 16h23

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12/10/2007

Paulo Autran: 1922- 2007



Prefiro rosas, meu amor, à pátria,
E antes magnólias amo
Que a glória e a virtude.

Logo que a vida me não canse, deixo
Que a vida por mim passe
Logo que eu fique o mesmo.

Que importa àquele a quem já nada importa
Que um perca e outro vença,
Se a aurora raia sempre,

Se cada ano com a Primavera
As folhas aparecem
E com o Outono cessam?
E o resto, as outras coisas que os humanos
Acrescentam à vida,
Que me aumentam na alma?

Nada, salvo o desejo de indiferença
E a confiança mole
Na hora fugitiva.

(Fernando Pessoa)

 

Imagem: filme "A Máquina", de João Falcão.

Escrito por Marcelo Tas às 16h35

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11/10/2007

Tropa de Elite: finalmente!




Ainda me espanto com a indigência intelectual brasileira.

Desde a estréia de Tropa de Elite, acompanho com uma lupa de cientista e paciência de monge birmanês, o amontoado de sandices escritas por críticos e "críticos" especialmente escolhidos para criar uma "polêmica" sobre a obra cinematográfica. De cara, desconfiei: já vi esse filme! Claro: Cidade de Deus. Lembram-se? Quando estreeou, o hoje antológico filme de Fernando Meirelles gerou a mesma confusão mental e excitação infantil entre críticos e "críticos". Alguns profetizaram um fracasso que não veio. Outros inventaram novas expressões para teses semiológicas frouxas como os pingolins dos aposentados que jogam dominó em Copacabana.

Desta vez, pensei com cautela, será que vamos de novo atrás dessa cascata? Bem, quase fomos.

Uma parte dos coleguinhas jornalistas- aparentemente sem pauta para os inúmeros cadernos culturais a serem preenchidos- lançou a tese do filme ser "fascista". Outros desenrolaram versões apuradas sobre a influência da pirataria no sucesso- ou fracasso- do empreendimento cinematográfico. Com direito a teorias da conspiração especulando se não teria sido os próprios produtores da película os autores de plano tão bem desenhado de marketing. Ainda outros incautos da nossa vasta mídia pátria multimídia, mais chegada a um certo rigor "jornalístico", cobrou, vejam vocês, uma "imparcialidade" inexistente no filme!

Quá?

Sim, houve jornalista, acreditem, cobrando "imparcialidade" a uma obra de ficção! Não riam. É verdade, eu vi. Estava com minha lupa em punho e garanto que é fato.

O que ninguém tinha falado até hoje? Sobre o próprio filme.

Imagino cá com meus poucos botões que alguns desses críticos e "críticos" torçam para que o cinema brasileiro acabe de vez. Ou fique naquela letargia morna onde sempre esteve desde o Cinema Novo, restrito à mediocridade habitual de seus medalhões, a maioria em franca aposentadoria confortável. Seria uma forma de deixar os críticos e "críticos" mais calminhos. Sem a obrigação de posicionamento diante de algo instigante. Que não caiba nos parcos recursos mentais e literários deles.

Felizmente, esse fluxo de asneiras foi interrompido nesta quinta-feira, com a coluna do psicanalista Contardo Caligaris, na Folha de São Paulo. Destrinchando o filme, Contardo esclarece o sentimento difuso de culpa social que talvez explique o vacilo intelectual dos críticos e "críticos". O meu diagnóstico seria diferente: ejaculação precoce ou diarréia crônica mental. Melhor ficar com o do doutor Caligaris, mais preciso e elegante. Não deixe de ler.

Pensei: se depois de quase um mês de buchicho do filme por aí é preciso que apareça um psicanalista para fazer a primeira crítica de verdade sobre Tropa de Elite, o filme, é porque a situação dos críticos e "críticos" de cinema brasileiro é coisa de louco.


PS: Assisti o filme na última segunda-feira. Não me parece necessário, mas não custa lembrar. Não é um documentário. É um filme de ficção. Com atores em estado de graça, performances preciosas. Poucas vezes vista nas telas do cinema tupiniquim. Destaque para o trio de coadjuvantes mais que especiais da foto acima: Caio Junqueira, André Ramiro e Milhem Cortaz- estupendos. E uma magistral atuação de Wagner Moura, protagonizando Capitão Nascimento, que o coloca definitivamente no panteão mais elevado da arte cinematográfica brasileira. Deve ser por isso que assusta tanta gente desinformada. Não tenha medo de ir ver o filme no cinema. Ele causa uma catarse que depois passa. Afinal, é apenas obra de ficção para seu entretenimento. Como outras tantas do cinemão norte-americano que nenhum dos críticos e "críticos" brasileiros ousou taxar de "fascista" ou a favor da máfia italiana em Nova York. Quem sabe Tropa de Elite possa até te fazer pensar na violência bestial e no estado de indigência mental que vivemos como "nunca antes na história desse país".


Escrito por Marcelo Tas às 07h59

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10/10/2007

Internet é... conhecimento em gotas

Escrito por Marcelo Tas às 20h42

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Motoboys traduzem a cidade e a si próprios



Já são mais de 300 mil os motoboys paulistanos. São os caras da "correria". Sem eles, a economia da cidade não funciona. Mas continuam sendo o alvo preferido do preconceito e olhar torto da sociedade.

Para a maioria, são invisíveis. Viviam escondidos dentro do capacete e macacão escuro de vinil. Sim, viviam, porque agora doze deles resolveram contar sua própria história através de fotos e textos enviados pelo celular no Canal Motoboy. Deixo por conta deles a definição do portal:

"12 Motoboys percorrem espaços públicos e privados da cidade de São Paulo. Munidos de celulares com câmera integrada, fotografam, filmam e publicam em tempo real na Internet suas experiências, transformando-se em cronistas de sua própria realidade. Descrevem mediante palavras chave as imagens que publicam e colaboram assim para a criação de uma base de dados multimídia que seja capaz de gerar conhecimento coletivo. Em reuniões periódicas analisam os conteúdos publicados e coordenam a formação de grupos de emissores dedicados a cada tema aprovado pelo coletivo. Um projeto de comunicação audiovisual celular realizado para a comunidade de Profissionais Motociclistas de São Paulo em 2007"



A idéia é um ovo de Colombo. Pela natureza do ofício, os motoboys são as testemunhas mais ágeis dos fatos da cidade. O olhar veloz não impede sacadas precisas: "aqui, viaduto vira condomínio".



Expressando-se livremente eles se humanizam aos olhos da cidade. Trata-se de um diálogo inédito com a coletividade para, quem sabe, conquistar respeito e melhores dias para todos.



O blog saúda e aplaude o Canal Motoboy, uma maneira sensacional de conhecer os caras que ajudam a economia de São Paulo girar. E de sentir o pulso da cidade invisível aos nossos olhos.



PS: recebi essa dica através de uma aluna que frequentou o curso que dei no IETV em SP. Depois, publico aqui o nome dela a quem fica meu agradecimento pelo link.

Escrito por Marcelo Tas às 08h54

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08/10/2007

Blogs e Bics




O debate sobre blogs na Casa Mário de Andrade entre Alexandre Inagaki, Pedro Dória e este que vos tecla, continua rendendo. O Digestivo Cultural já publicou o áudio do encontro. Cacilda, se soubesse que ia ser gravado talvez falasse menos. Agora é tarde: aqui está. Tais Laporta, também fez um resumo do encontro no blog do Digestivo.

 
Agradeço ainda ao imprescindível Tiago Dória, minha leitura diária, que citou a comparação que fiz entre blog e caneta Bic como a frase da semana:

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"Existe muita gente que fala 'olha eu tenho um blog'. É a mesma coisa que falar 'olha eu tenho uma caneta Bic'. Tudo depende do que você vai fazer com ela [...]. Blog não valida o talento de ninguém. O que interessa é a história que cada um conta."

Escrito por Marcelo Tas às 10h03

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Huck 2, o papo furou




Depois da surpreendente carta de Luciano Huck publicada na Folha segunda passada, já comentada aqui, os veículos tradicionais e a blogosfera tentam recomeçar a semana com o mesmo assunto. Só que, infelizmente, a conversa já desandou. Por que no Brasil uma polêmica não se sustenta sem cair no bate-boca banal binário futebolista de arquibancada: você é do mal, eu sou do bem?

Veja entrevista Huck nas páginas amarelas para um tatibitati que nada acrescenta ao texto original publicado na Folha. Enquanto isso, a própria Folha convoca o escritor da periferia Ferréz para que ele chute o balde com um festival de obviedades primárias. Ou seria primitivas? Ferréz diz lá que é correto assaltar já que a TV é a culpada por acender nos "mano" o desejo de consumir. Curioso que Ferréz, um "mano" esperto, que soube dar uma volta na vida, publicar livros e abrir lojas da sua grife por São Paulo, negue o mesmo caminho do talento e do trabalho para os jovens da periferia. Trata-os como zumbis babões hipnotizados que só pensam em comprar um tênis novo e nada mais. Fora eu um autêntico "mano" do Capão, ia até a casa de Ferréz tirar satisfação por ter sido chamado de burro e idiota por ele.

Well... para mim, o assunto, importante, diluiu de vez. Quem se interessar, abaixo vai trecho da carta de Ferréz (assinantes da Folha e UOL lêem aqui na íntegra).

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Pensamentos de um "correria" (Ferréz)

... a hora estava se aproximando, tinha um braço ali vacilando. Se perguntava como alguém pode usar no braço algo que dá pra comprar várias casas na sua quebrada. Tantas pessoas que conheceu que trabalharam a vida inteira sendo babá de meninos mimados, fazendo a comida deles, cuidando da segurança e limpeza deles e, no final, ficaram velhas, morreram e nunca puderam fazer o mesmo por seus filhos!

Estava decidido, iria vender o relógio e ficaria de boa talvez por alguns meses. O cara pra quem venderia poderia usar o relógio e se sentir como o apresentador feliz que sempre está cercado de mulheres seminuas em seu programa. Se o assalto não desse certo, talvez cadeira de rodas, prisão ou caixão, não teria como recorrer ao seguro nem teria segunda chance. O correria decidiu agir. Passou, parou, intimou, levou.

No final das contas, todos saíram ganhando, o assaltado ficou com o que tinha de mais valioso, que é sua vida, e o correria ficou com o relógio. Não vejo motivo pra reclamação, afinal, num mundo indefensável, até que o rolo foi justo pra ambas as partes.


Escrito por Marcelo Tas às 09h08

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Hamilton acelera desde a barriga da mãe?



Neste domingo, na China, Hamilton tinha o campeonato na mão e pagou o preço de ser tão jovem. Derrapou na sua ansiedade. Sorte nossa, o GP do Brasil, daqui a duas semanas, ganhou extra suspense. Três pilotos disputam o título pau a pau.

Ponho minhas fichas em Lewis Hamilton. O garoto é um fenômeno desde criancinha, como pode-se ver no video acima.

Mas tem gente exagerando, dizendo que ele já acelerava desde a a barriga da mãe dele. Aí, já é demais (abaixo).



Escrito por Marcelo Tas às 00h00

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06/10/2007

Luiz Macedo & seus blue caps



Escrito por Marcelo Tas às 18h46

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05/10/2007

Filminhos de celular: até a poderosa F1 depende deles



Uma corrida de Fórmula 1 é transmitida, de todos os ângulos possíveis, por cerca de uma centena de câmeras de TV.

Nenhuma delas mostrou a imagem acima, captada pelo celular de um torcedor. Por conta do vídeo, o virtual campeão de 2007, Lewis Hamilton, pode se estrepar. Fez uma manobra estranhíssima atrás do pace-car que motivou a batida entre Vettel e Webber. O primeiro foi punido como causador do choque. Agora, vê-se claramente que a história é outra. Tudo por causa de um video de torcedor que agora ganha o mundo.

Escrito por Marcelo Tas às 09h43

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Ainda o Luciano Huck



Hoje é sexta-feira e o "post" do Luciano Huck na Folha de segunda ainda rende comentários no Painel de Leitores do jornal.

Imagine quando a Folha descobrir que tudo isso poderia ser potencializado pela internet. Já pensou: Clóvis Rossi e seus preciosos escritos num blog com feed-back em tempo real de seus atentos leitores? Talvez nunca precise começar um texto como o de hoje: "Escrevo antes de o STF decidir se o mandato dos parlamentares pertence ao partido ou ao parlamentar..."

Não se trata de uma observação crítica, mas factual. Os antigos veículos ainda resistem à grande mudança, vide a campanha "Mico do Ano" do Estadão, que para divulgar sua iniciativa na internet tentou ridicularizar os internautas. Uma atitude desastrosa, até mesmo sob o ponto de vista empresarial dessas grandes empresas. Talvez por falta de tempo, talvez por preconceito, talvez por desprezar a inteligência e capacidade do "leitor". Ou será que talvez eles tenham razão?


Vai abaixo os comentários ao "post" de segunda de Luciano Huck, publicados na versão impressa da Folha de hoje.

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Assalto nos Jardins

"Parabenizo a Folha por dar a oportunidade a seus leitores de constatar que existem pessoas como o senhor Luciano Huck ("Pensamentos quase póstumos", "Tendências/Debates", 1º/10). Já nos primeiros parágrafos do artigo, deparei com a "humildade" que poderia esperar de uma pessoa que afirma que vive seus dias para melhorar a vida das pessoas e do país. Segundo ele, caso fosse assassinado, deixaria uma multidão triste, o governador envergonhado e o presidente em silêncio.

Pena que uma pessoa que tem a oportunidade de divulgar o seu pensamento em nível nacional viva tão fora da realidade a ponto de precisar ter seu Rolex roubado para se dar conta de que a violência escancarada nas ruas não faz parte apenas do roteiro de um filme. Por fim, sugiro ao apresentador que pergunte a um trabalhador que ganha um salário mínimo quanto paga de impostos. Adianto a resposta: uma fortuna!"

LUIS FELIPE VELLACICH YUBI (Ourinhos, SP)

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"Lamentável o comentário de Zeca Baleiro sobre o texto de Luciano Huck -como se Zeca Baleiro não fizesse parte dessa elite. Se a questão da violência chegou à elite por causa de um Rolex, acho ótimo! O que importa é que chegou. E quem sabe assim, quando os poderosos descobrirem que estão na mesma linha de fogo que o pessoal do Capão Redondo, as coisas comecem a mudar. E por falar em Capão Redondo, dou um doce a Zeca Baleiro se ele um dia já passou por lá. Estou farta de gente que come caviar e arrota mortadela."

MARIANA PEDREIRA (São Paulo, SP)

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Escrito por Marcelo Tas às 09h23

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Pelado na casa do Mário de Andrade




Grande noite ontem no encontro com colegas de blog Pedro Dória e Alexandre Inagaki na Casa Mário de Andrade, dentro do ciclo de debates Oficina da Palavra.

De um encontro desses percebe-se o quanto a história tecnológica recente, digo dos últimos 15 anos, ainda não foi suficientemente interpretada e digerida. Dória me fez downloadar da mente uma palavra cheia de significados afetivos: Sysop, system operator, o nome dado aos antigos webmaster da era do blog a lenha, os BBSs. Inagaki é a personificação do multi bloguer. Escreve ao mesmo tempo em vário deles, além de ser o chefe de si mesmo como editor do Interney, o maior portal de blogs do Brasil.

Concluiu-se que o melhor da história ainda está por vir, já que ainda vivemos na "bolha" da modinha de ser blogueiro. E muita gente boa começa a descobrir e perder o preconceito contra o veículo.

E o papo ainda extravasou e muito o assunto blog e tecnologia: jornalismo tracional x jornalismo digital, campanha do Estadão, duelo Tas x Doria sobre Wikipedia, Birmânia, sexo, putas de Copacabana, 11 de Setembro e ainda sobrou um pau no Sarney, claro. A íntegra deve ser publicada em breve no Digestivo Cultural, que promove este mês outros encontros "A Palavra na Tela: Jornalismo, Literatura e Crítica Depois da Internet".

Ah, e ainda tive que conviver com essa emoção: o debate foi no mesmo auditório onde eu dancei pelado com meu grupo de "expressão corporal" na Casa Mário de Andrade, bem no iniciozinho dos inesquecíveis anos 80 (acima).

Escrito por Marcelo Tas às 08h39

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04/10/2007

Birmânia, Burma ou Myanmar?

 

Para, hopefully, encerrar o debate sobre o nome "correto" da Birmânia, vai abaixo texto auto-explicativo do velho e bom Ivan Lessa, publicado na Reuters Brasil.

 

PS: para o texto completo, clique aqui.

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INGLÊS VELHO

 

Outro dia mesmo, neste canto eletrônico onde tento e tentam me eletrocutar, andei deblaterando contra a proposta reforma ortográfica da língua portuguesa. Ou contra a língua portuguesa. Uma coisa assim. Possível até que tenha sido contra essa mania de escreverem Mianmar e não Birmânia, tal como era e deveria ter continuado a ser.

 

Os ingleses e norte-americanos que não acabam mais, na imprensa escrita, falada e informatizada, continuam escrevendo Burma, como sempre foi, até que, em 1988, um bando de milicos deu um golpe no país e mudaram o nome do bichão, conforme é do gosto dos homens de farda.  Só porque uns generais birmaneses e quatro camaradas numa sala da ONU decidiram que Mianmar é uma palavra bonita, e que assim passará a ser o nome da terrinha em questão, não é motivo para se jogar fora Burma, Birmânia, com todo seu glorioso ou mesmo inglório passado, ou mesmo qualquer outro país por aquelas e outras bandas começando com a letra B. Brasil inclusive. Embora Ilha de Vera Cruz, Terra Nova e Terra de Santa Cruz me pareçam muito mais interessantes.

 

Convenhamos, Mianmar é nome de cinema. E cinema poeira.

 

 

Escrito por Marcelo Tas às 13h31

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Ditadores da Birmânia lutam contra a lei da gravidade


Free Burma!


Hoje é dia de protesto virtual. Uma rede de blogs no mundo todo sobe um post e uma imagem como essa acima para apoiar a livre expressão na Birmânia, que sofre com as ações violentas de um governo militar ditatorial.

A Birmânia fica entre a Tailândia, China e Índia. Já foi submetida a grandes repressões. A última delas no final da década de 80. Mas não havia internet.

Desta vez, a reação popular, apoiada de forma desconcertante e bela por milhares de monges budistas, foi "televisionada" por celulares que colocaram a manifestação na rede em tempo real. De início, o governo menosprezou a força dos blogueiros. Aos poucos percebeu que estava ali seu principal inimigo. Foi uma batalha e tanto. Além do tradicional método da chibata, com centenas desses correspondentes ocasionais presos e torturados, os ditadores birmaneses chegaram ao absurdo de colocar hackers para invadir blogs e sites que forneciam informação para o exterior e até mesmo de cortar a energia elétrica e as linhas de telefone. Uma país inteiro mergulhou literalmente na escuridão e na desconexão com o mundo.

Mais uma tentativa, em vão naturalmente, de autoridades tentando controlar o incontrolável. De revogar a lei da gravidade.

Este blog se alinha à rede mundial de blogs que apóia a livre expressão na Birmânia. Assim como no Amapá, onde o anão de bigodes José Sarney tentou censurar blogs na última eleição. Se você tem um blog e interesse em aderir à manifestação, vá até Free Burma e pegue sua bandeirinha eletrônica.

Mais do que nunca ainda é necessário dizer: abaixo a ditadura!

Escrito por Marcelo Tas às 07h53

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03/10/2007

A publicidade acabou? Viva a publicidade!




A revolução digital provoca uma grande mudança em diferentes setores da vida. O que inclui os veículos de comunicação e o mercado publicitário. Ali onde a grana sempre correu abundante, vê-se hoje muita gente de cabeça baixa e bolso vazio. Ou melhor, bolsos talvez um pouco menos cheio que antes. Mesmo assim, alguns desses bolsos continuam ainda beeeeeem cheios.

De qualquer forma, acabou aquela era abastada da mídia papai-mamãe: anuncia no JN e na Veja, boleto faturado, férias uma vez por mês em Nova York.

As agências estão malucas tentando entender como continuar faturando na era da internet. Não tá fácil. O cliente esconde a grana, quer saber onde vai ser investida, tem melhores métodos de medir os resultados... Bem, a situação ainda não é tão maravilhosa assim, mas está a caminho.

Novos fenômenos se apresentam. Conteúdo gerado pelo usuário, como o Orkut; a força da opinião dos comentaristas de blog; aparentemente ninguém quer ser tratado apenas como "consumidor" ou pontuador de Ibope. Lá fora já se torna importante um novo nível desse joguinho. A produção de conteúdo publicitário pelos outrora anônimos internautas. Sim, os consumidores começam a produzir os reclames dos produtos que outrora apenas consumiam.

O exemplo mais famoso é o filme criado e filmado por um desses moleques sapecas que nem tem agência para Doritos (postado acima), veiculado na final do SuperBowl 2007, o intervalo publicitário mais caro do mundo.

Pensava eu que o fenômeno ainda estava distante do Brasil até conhecer a campanha da Universidade Cantareira, feita pelo trio da "Cia Barbixas de Humor". Impagável. Ou melhor, abram seus sorriso e vossas carteiras, prezados clientes para os novos talentos da era digital. Abaixo um filme da campanha para a Faculdade de Agronomia criado e protagonizado pelos garotos tirando uma do Corinthians.


Escrito por Marcelo Tas às 10h48

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O mundo das janelas




Fiquei estarrecido ao abrir uma janelinha do contador de audiência do blog e ver a distribuição dos internautas que aqui aterrissam separados por sistema operacional.

Em 53.264 visitas, recebi 9 sistemas operacionais diferentes, o que inclui dois seres humanos que aqui chegaram navegando em seus Playstations!

Só que a grande manada, exatamente 50.099 pessoas, usavam Windows, 94,06% do total. O segundo lugar ficou com o Macintosh: 3,9%.

Ou seja, o mundo gira, a Lusitana roda, o Google se agiganta... e a Microsoft continua no comando da revolução digital no planeta.


Escrito por Marcelo Tas às 10h03

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Casa Mário de Andrade: encontro de blogs




Se Mário de Andrade estivesse vivo teria um blog. Este pensamento cruzou minha mente quando fui convidado para participar de encontro na casa do grande escritor "multimídia" brasileiro nascido em São Paulo (na foto, ao lado do antropólogo Câmara Cascudo) no bairro da Barra Funda. E o dia chegou.

“A Palavra na Tela: Jornalismo, Literatura e Crítica depois da Internet”: este é o título dos encontros que se iniciam amanhã, dia 4 de Outubro, na Casa Mário de Andrade em São Paulo. Vou estar lá com os meus colegas Alexandre Inagaki e Pedro Doria, para debater com o público o tema: "Internet e Blogs: A Maior Conversação da História".

Abaixo, mais informações sobre o encontro e a programação completa da Oficina da Palavra, capitaneada pelo Digestivo Cultural.


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OFICINA DA PALAVRA- DIGESTIVO CULTURAL

O que aconteceu com o jornalismo depois da internet? E o que aconteceu com a literatura? E com a crítica? Que tipo de produção escrita se realiza na internet brasileira hoje – e qual a sua importância no panorama do jornalismo, da literatura e da crítica?

OBJETIVO
Discutir os impactos da internet na produção escrita no Brasil. Desde o jornalismo até a literatura, passando pela crítica de mídia e pela crítica cultural. Apresentando os principais veículos nessa transformação (portais, sites, blogs), trazendo os principais atores nesse processo (jornalistas, escritores, blogueiros) e mostrando ao público como ele também pode participar, desenhando um cenário para o futuro.

JUSTIFICATIVA
O projeto se justifica pela necessidade de colocar o público a par dos processos de formação de um novo jornalismo, de uma nova literatura e de uma nova crítica – onde o leitor ou consumidor dessa produção deixa de ser apenas um espectador para se converter num participante ativo, tornando-se mais consciente e sensível, desenvolvendo suas faculdades intelectivas e suas habilidades artísticas, e exercendo, mais efetivamente, sua cidadania.

DESENVOLVIMENTO E CRONOGRAMA
Serão quatro encontros, ao longo de Outubro sempre com três especialistas, que apresentarão suas experiências ao público e debaterão entre si sobre o impacto da internet na atual produção escrita brasileira, com mediação do Digestivo Cultural, conforme segue:

Primeiro Encontro (4/10, quinta, 20 hs.): “Internet e Blogs: A Maior Conversação da História”
* Marcelo Tas, jornalista, blogueiro do UOL, ex-apresentador do programa Vitrine (TV Cultura);
* Pedro Doria, jornalista, colunista do caderno “Link” do Estadão, ex-editor-assistente do site NoMínimo;
* Alexandre Inagaki, jornalista, blogueiro, diretor editorial do maior portal brasileiro de blogs da atualidade, o Interney Blogs.

Segundo Encontro (17/10, quarta, 19 hs.): “Internet e Jornalismo: Da Autopublicação ao Jornalismo Colaborativo”
* Alexandre Matias, jornalista, blogueiro, podcaster, editor-assistente do caderno “Link”, do Estadão;
* José Marcelo Zacchi, coordenador geral do site Overmundo, fundador e ex-diretor do Instituto Sou da Paz;
* Ana Maria Brambilla, jornalista, blogueira, responsável pelos projetos de jornalismo colaborativo na editora Abril.


Terceiro Encontro (18/10, quinta, 19 hs.): “Internet e Literatura: Dos Sites Literários aos Escritores Independentes”
* Cardoso, escritor, blogueiro, fundador da revista eletrônica CardosOnline, autor da Editora DBA;
* Augusto Sales, blogueiro, editor do site literário Paralelos, que lançou boa parte da Geração 00;
* Ana Elisa Ribeiro, escritora, blogueira, colunista do Digestivo Cultural e do Estado de Minas, mestre e professora do curso de Letras da UFMG.

Quarto Encontro (24/10, quarta, 19 hs.): “Internet e Crítica: Dos Folhetins do Século XIX ao Dandismo On-line”
* Sérgio Rodrigues, jornalista, blogueiro, escritor e ex-editor-executivo do site NoMínimo;
* Paulo Polzonoff Jr.: jornalista, blogueiro, crítico literário, escritor, ex-editor da editora Candice;
* Jonas Lopes, jornalista, colaborador da Bravo!, do jornal literário Rascunho e do Digestivo Cultural.

CARGA HORÁRIA
8 (oito) horas: 2 (duas) horas por encontro.

PÚBLICO ALVO
Adultos com formação superior, universitários ou estudantes interessados em produção escrita on-line, que acompanhem minimamente as transformações no jornalismo, na literatura e na crítica e que, se possível, já interajam no processo, através de sites, blogs e comentários.

FORMAS DE SELEÇÃO
O participante deve ter formação superior ou, no mínimo, segundo grau completo. Deve ter também acesso à internet. Deve conhecer ou já ter participado das principais manifestações on-line do jornalismo, da literatura e/ou da crítica na Web brasileira.

SINOPSE
O projeto “A Palavra na Tela” vai discutir, com participação do público, e curadoria do site Digestivo Cultural, os impactos da internet na literatura, no jornalismo e na crítica produzidos no Brasil na aurora do século XXI.

CURRÍCULO
O Digestivo Cultural, desde 2000, é o maior site brasileiro em matéria de jornalismo cultural, hoje com 10 mil visitantes-únicos/dia e 25 mil páginas navegadas/dia, acumulando elogios na imprensa, na academia e na cena cultural brasileira, e tendo publicado boa parte dos jornalistas e escritores em atividade no Brasil, bem como os principais representantes da nova geração de autores da internet.

Casa Mario de Andrade - Oficina da Palavra
Rua Lopes Chaves, 546 – Barra Funda
São Paulo/SP - Telefone: (11) 3666-5803

Para se inscrever, envie mail para: casamariodeandrade@assaoc.org.br

Escrito por Marcelo Tas às 09h30

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02/10/2007

Assalto à "tropa da elite"




O empresário e apresentador Luciano Huck foi assaltado nos Jardins em São Paulo. Carro no trânsito, revólver na cabeça, relógio subtraído, aquela cena que muita gente conhece de perto... A diferença é que Luciano, além de ser um famoso da TV, teve coragem de expor sua indignação num texto sincero e desconcertante na Folha de São Paulo de ontem.

Hoje, a leitura da seção de cartas da Folha é uma oportunidade imperdível de calibrarmos a real situação de viver no Brasil. Em cada linha, podemos ler as virtudes e doenças crônicas brasileiras, tais como: solidariedade, intolerância, preconceito, crueldade, fascismo, compaixão, etc...

Faz tempo que, mais do que os colunistas, minha sessão preferida de opinião nos jornais é a sessão de cartas. Nesses tempos digitais, de participação ativa do leitor-internauta-consumidor, já mereceriam um melhor espaço editorial nos veículos de comunicação.

Aqui você encontra o texto original de Luciano Huck. Este blog envia solidariedade e o aplaude aplaude pela ousadia de expor sua dor e indignação.

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PAINEL DO LEITOR- Folha de S. Paulo

Assaltado nos Jardins

"Após ler o artigo de ontem de Luciano Huck ("Pensamentos quase póstumos'), vejo que até a elite brasileira começa a ficar temerosa da abrangência que a violência tomou em nosso país. Assim como o apresentador se viu com um 38 na cabeça e pensou em como seria horrível deixar sua família, milhares de brasileiros vivem isso no dia-a-dia. E nem todos têm a sorte de o bandido não atirar.

Quantas e quantas famílias órfãs existem e se espalham pelo nosso país? O número é incontável e crescente. E, assim como Huck, a grande maioria paga seus impostos corretamente. O apresentador acordou de um sonho? Bem-vindo à realidade do Brasil! Se o seu despertar contribuir para acontecer alguma coisa neste país de elites, pode ter certeza de que esse assalto não foi em vão."

JANE CARDOSO COSTA (Belo Horizonte, MG)

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"Gostaria de dizer a Luciano Huck: bem-vindo ao mundo real. Aqui, crianças chegam à 5ª série sem saber ler, mas chegam, e isso diminui o índice de analfabetismo. Aqui, a gente chega ao posto de saúde e consegue marcar uma consulta -está certo que não é para agora (só em 120 dias), mas a gente consegue. Aqui, pela manhã, pedimos "bença" ao traficante e, à noite, à polícia (afinal, a gente tem que se dar bem com todo mundo...). Aqui, todo mundo sabe o que de errado acontece.

A gente sabe quem vende jogo do bicho, quem pede propina, quais são os políticos que roubam. Sabe aquelas maquininhas de jogo, aquelas que são proibidas? Aqui tem um monte. Alguns falam que elas são da polícia, por isso temos de ficar quietos, enquanto nossos pais, depois de um dia de trabalho, perdem ali o dinheiro daquilo que seria o nosso omelete no domingo.

Todos nós estamos cansados de gritar, mas nossa voz não é ouvida. De coração, sinto muito que isso tenha acontecido com o apresentador, pois sei o que é ter uma jovem esposa e uma pequena criança nos esperando em casa. Mas, agora que ele faz parte desse nosso seleto grupo, que nos ajude a gritar."

CESAR ALEXANDRE (Osasco, SP)

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"Depois de a Folha nos presentear com a entrevista com Eric Hobsbawn, nos cobra a paciência de ter que engolir Luciano Huck e sua auto-compadecida situação nada presunçosa, quando sugere o possível noticiário do seu possível desaparecimento no caderno cultural. A partir de agora, poderemos ter na terceira página da Folha os relatos das experiências de assaltos sofridos por apresentadores. Sugiro que o assaltante tenha o direito de resposta."

RICARDO MELLO (Goiânia, GO)


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"Luciano Huck queixou-se: "onde está a "Elite da Tropa'? Quem sabe até a "Tropa de Elite'!". Ele poderia ter sido mais direto e dizer: onde está a "Tropa DA Elite?"."

FERNANDO DA SILVEIRA (São Paulo, SP)

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"Os policiais que estão na linha de frente do combate ao crime (todos os que não são delegados ou oficiais da PM) sabemos onde está o "Rolex roubado" do Luciano Huck -metáfora para o Graal da segurança pública brasileira. Mas não vou trocar tiro com bandidos recebendo um salário-base de R$ 568,29 (e, agora, sem o tíquete alimentação de R$ 80, que nos foi retirado em agosto de 2007). Prefiro correr risco no bico para sustentar os meus filhos.

Se Huck não está feliz conosco, pode entrar para o movimento "Cansei" e cobrar do governador Serra o motivo de o PSDB ter tanta raiva da polícia paulista e mantê-la na miséria há 14 anos. Eu queria fazer minha inscrição naquele movimento, mas será que aceitam um policial sem dinheiro?"

ROGER FRANCHINI (São Paulo, SP)

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"Entendo a indignação de Huck, mas nenhum super-herói daria conta de estar em dois lugares ao mesmo tempo para impedir um assalto. Nem a "Rota na rua" dá conta de impedir todos os crimes da cidade. O problema é e sempre será a injusta distribuição de renda em nosso país, uma das mais vergonhosas do mundo. Quantos ricos o apresentador conhece (e ele deve conhecer muitos) que estariam dispostos a ajudar a reverter este quadro?"

KLEBER EDUARDO MANTOVANI (São Bernardo do Campo, SP)


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"Embora tenha sido no calor dos acontecimentos, Luciano Huck retratou de forma clara a verdade que os políticos responsáveis pela nossa segurança tentam esconder. O que comemorar no Dia das Crianças, 12 de outubro, diante de tantas barbáries que a mídia divulgou nos últimos dias, diante da educação escolar que aprova alunos sem o conhecimento mínimo necessário? Franco da Rocha, cidade onde nasci, vivo e sou vice-prefeito, foi destaque na mídia nestes últimos dias por ser um depósito desses bandidos que são presos e passam o fim de semana "em casa", matando e assaltando.

É preciso investimentos do Estado nas pessoas, nos jovens principalmente, para que sejam cidadãos, e não distribuidores ou vítimas de estiletes e de bala calibre 38."

MARCELO CYPRIANO, vice-prefeito (Franco da Rocha, SP)

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"O senhor Luciano Huck me constrangeu com seu "desabafo". Não pelo fato de ter sido vítima de violência, afinal, era de esperar que "sua hora" chegasse. Mas por achar que, sendo pessoa pública e digna da comoção de uma "multidão", estaria imune a ela. Tenho até pena do senhor Huck, pois ainda acredita que ser cidadão se resuma a votar ou a pagar impostos ou a dirigir uma ONG. Com o espaço de que goza na mídia, com o carisma que lhe renderia uma "homenagem no caderno de cultura" e com a renda que concentra, poderia fazer mais que isso.

Caso seu programa se preocupasse não apenas em "fazer este país mais bacana" mas em desenvolver uma consciência crítica no público, talvez nosso país fosse socialmente mais justo. Talvez, se os espectadores fossem incentivados a debater a importância de cada indivíduo na busca de soluções e estimulados a uma participação política ativa, Huck não estaria "à procura de um salvador da pátria"."

CLEBER FERREIRA SHIMIZU (Londrina, PR)

Escrito por Marcelo Tas às 09h38

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01/10/2007

Etanol: ser ou não ser?




Até os garotos-casas-bahia da direita, aqueles que urram cada vez que ouvem os "plural" do "cumpanheiro" Lula, tiveram que engolir: o presidente conseguiu colocar o etanol na pauta global.

O que não quer dizer que ganhamos com boa informação sobre o assunto. Como é de se esperar no mundo binário mental que vivemos, imediatamente surgiram na mesma proporção os louvadores e os amaldiçoadores do etanol. Para aqueles, o álcool é a incorporação do demônio travestido de capim manipulado pelos "cumpanheiros", uma arma letal contra o meio ambiente. Para outros, a cura de todos os males: do derretimento da calota polar à unha encravada.

A The Economist, revista inglesa mais influente entre o pessoal do poder- apesar de muito citada e pouco lida- chuta o balde: o etanol não está com nada! A Wired, revista mais influente entre o pessoal da tecnologia, dá a capa da sua edição de outubro para a plantinha e garante. Com o etanol, seus problemas acabaram.

E agora, o que fazer, vamos pedir ajuda aos universitários ou vamos logo para a saideira?

Escrito por Marcelo Tas às 08h41

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Prezados Franklin e Tereza, ouçam a história de uma verdadeira rede pública de TV




Semana passada, recebemos a notícia de que a jornalista Tereza Cruvinel, de O Globo, assumiu a presidência da futura Rede Pública de TV brasileira.

Ninguém duvida da importância de uma rede pública de comunicação. Muito menos eu, que estou metido em projetos na TV Cultura, nosso embrião mais maduro do que poderia ser uma TV pública há quase 20 anos (séries Rá-Tim-Bum, Vitrine, Oficinas Culturais, entre outros)

Porém confesso que estou apreensivo com os rumos dessa ainda não parida Rede Pública de TV brasileira. Minha principal dúvida vem justamente do fato dela estar sendo preparada com a pressa de um cozimento de micro-ondas. Será que nessa correria, o projeto capitaneado pelo jornalista Franklin Martins e presidido por Tereza Cruvinel vai conseguir plantar uma boa semente? A questão não é a competência dos envolvidos. Mas da criação de equipes e amadurecimentos necessários para tarefa tão complexa.

Todos sabemos que no quesito acesso público ao conhecimento e informação o Brasil está na idade da pedra. Repleto de currais comandados por coronéis eletrônicos que manipulam a opinião pública, especialmente nos estados mais miseráveis do país.

Que Franklin e Tereza tenham energia e inspiração para a tarefa. E aqui uma pequena sugestão aos dois: ouçam e estudem com cuidado a experiência da BBC inglesa. Uma instituição nascida, bancada e controlada pela sociedade. De fato e não de blablablá. Nem Churchil e Margareth Tactcher, apesar de tentarem, conseguiram manipular a informação da BBC.

Este mês a Radio 1, da BBC, minha sintonia permanente aqui no computador, comemora 40 anos de vida. Imagino o orgulho que deve dar num inglês, ouvir uma rádio dessa qualidade bancada pelo seu próprio bolso.

Tomara que tenhamos o mesmo sentimento daqui a 40 anos, em relação à Rede Pública brasileira. Tudo vai depender da semente que vai ser plantada agora, na apressadíssima estréia marcada para o próximo mês de Dezembro.

Desse jeito, só mesmo recorrendo ao hábito comum no Brasil que é o de orar e entregar o futuro nas mãos de Deus. Que Ele ilumine e inspire as difíceis decisões de Franklin e Tereza.

Escrito por Marcelo Tas às 07h35

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Sopa Diário: 3 anos




Meus parachóques para Roger de Renor que completa 3 anos de seu "Sopa Diário", na TV Universitária de Recife- PE. Seu programa é diário, ao vivo, sempre com uma banda quebrando tudo, e isso em pleno meio dia!

Como todos sabem, dentro do tubo da TV vale o calendário do cachorro, cada ano vale sete. Portanto, o Roger está "de fato" há 21 anos no ar.

Parabéns multiplicados, portanto.

Longa vida, meu velho.

Escrito por Marcelo Tas às 07h02

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